Друга na hierarquia
Na astrologia ocidental, a posição da Lua no mapa natal é o segundo fator mais importante na hierarquia da personalidade. O Sol representa a parte da natureza que se manifesta externamente, enquanto o signo zodiacal em que a Lua se encontra revela as profundezas que apenas a própria pessoa pode sentir dentro de si. Sentir, não necessariamente compreender conscientemente. O Sol é a vontade consciente, a Lua são as emoções, os instintos e o inconsciente. É ela que toma decisões antes que a pessoa consiga refletir, ponderar ou raciocinar.
Mesmo na astrologia ocidental, “centrada” no estudo minucioso do signo solar, a Lua recebe um papel de destaque. Ao nos acostumarmos a esse sistema e dizermos sobre nós mesmos: “Sou Capricorniano!”, estamos nos referindo especificamente ao signo solar, ou seja, ao signo em que o Sol estava posicionado no momento do nascimento. Mas, naquele mesmo dia, a Lua pode ter passado, por exemplo, pelo signo de Áries, o que significa que o signo lunar dessa pessoa é Áries. A Lua no mapa natal é um fator poderoso que pode revelar características essenciais da personalidade.
A Lua, na tradição ocidental, representa a forma como reagimos, nossos desejos não expressos e, muitas vezes, até mesmo incompreensíveis para nós mesmos. Talvez eles nunca se realizem… Já o Sol é aquilo que está na superfície, os desejos que a pessoa consegue realizar com sucesso no mundo exterior.
O que não se pode expressar com palavras
Às vezes dizemos: “Eu sei disso, mas não consigo explicar…” Nesse momento, nossa alma ouviu a voz da Lua, ou melhor, seu sussurro. Essas situações revelam qual área da vida é regida pela Lua. “Inefável” é a palavra exata para definir tudo o que está relacionado a ela — um nível mais sutil, ainda sem palavras no mundo físico denso. Além disso, algo dito por acaso, algo que não pretendíamos verbalizar (claro, estamos falando de situações que não envolvem discussões ou brigas). Nesse momento, nosso signo lunar supera o solar.
Quando estou em conflito comigo mesmo…
Se às vezes você sente que o coração não está alinhado com a mente, estudar a posição da Lua e do Sol pode ajudar a compreender o que está oculto e traçar caminhos para o autodesenvolvimento. Suponhamos que sua Lua esteja em Peixes e o Sol em Leão. É fácil imaginar quão diferentes são esses signos. E como essas qualidades precisam coexistir em uma mesma pessoa? Não é de se estranhar que se sinta um turbilhão no coração.
Embora não seja muito comum, existem pessoas cujo Sol e Lua estão posicionados no mesmo signo zodiacal no mapa natal. Nesse caso, é claro que as características desse signo serão muito marcantes. Por exemplo, quem tem Sol e Lua em Escorpião pode se definir como: “Sou um Escorpião dos Escorpiões…”
Viajando pelas Nakshatras
Como já mencionamos, na astrologia ocidental a Lua é o segundo elemento mais importante do mapa natal, mas no Jyotish, a astrologia védica, ela é, sem dúvida, o principal e mais relevante. Tanto que o Jyotish é frequentemente chamado de “astrologia lunar”. Na tradição védica, a Lua define o “corpo sutil” do ser humano. Essa compreensão é mais profunda e séria do que o que foi discutido anteriormente. O “corpo sutil” não se refere às emoções, mas ao arquivo de todas as nossas vidas passadas — segundo a cosmogonia hindu, vivemos milhares delas. E toda essa herança se concentra em um determinado signo nesta encarnação. É aquilo que conseguimos acumular, o que fomos capazes de alcançar ao longo de milhões de jornadas por diferentes formas de vida. E também aquilo que precisamos realizar nesta vida, em qual direção devemos buscar. “O grande passaporte cósmico” é uma forma sucinta de descrever a importância do signo lunar no Jyotish.
O Jyotish afirma que Chandra (a Lua) concede aos seres terrenos o corpo sutil (Linga Sharira), uma camada que abriga nosso “Eu Superior”. Juntos, eles transitam de corpo em corpo — é aquilo que se reencarna. É a concentração de desejos, ações e estados de espírito. Por isso, a Lua é chamada de “Manas-karaka” (indicador da mente). A posição da Lua determina o desenvolvimento da consciência e a profundidade da experiência espiritual do indivíduo.
A Lua no Jyotish é um significador supremo. O signo lunar é uma alternativa à Lagna (a 1ª casa e o Ascendente). Por exemplo, quando se diz que “um planeta está em Kendras” (quadrantes 1, 4, 7 e 10), a Kendra pode ser calculada tanto a partir da Lagna quanto a partir da Lua.
Na astrologia ocidental, a Lua percorre os 12 signos do zodíaco, mas no Jyotish são usadas as 27 Nakshatras (estações lunares). Cada Nakshatra é um setor do zodíaco de 13 graus e 20 minutos. Um astrólogo védico consegue facilmente identificar se uma pessoa é intelectual, sábia ou próxima do desenvolvimento animal. E não se trata apenas do signo em que a Lua está posicionada, mas principalmente da natureza da Nakshatra e da estrutura geral das interações no mapa.
Com quem Chandra se dá bem
Chandra (a Lua), que na tradição védica é masculino, é uma figura de extrema importância para todos os seres terrenos. Afinal, sem Chandra, a Lua, não poderíamos utilizar a energia do Sol. “O alquimista” Chandra reflete a força solar, a transforma e a transporta. Por isso, na astrologia védica, a Lua é sinônimo de vida — sem ela, os seres humanos simplesmente pereceriam.
Chandra é surpreendentemente benevolente e não tem inimigos nos céus, mas isso não impede que sinta uma simpatia especial por Budha (Mercúrio) e Surya (Sol). Se a Lua de uma pessoa estiver em Virgem ou em Gêmeos e não houver outros fatores negativos, Chandra se posicionará de forma muito confortável. Assim, a personalidade da pessoa será leve, serena e harmoniosa. O mesmo ocorre com os signos zodiacais regidos por Surya (Sol). A Lua em Leão também confere à pessoa as melhores qualidades. No entanto, se a Lua estiver fraca ou danificada por aspectos desarmônicos de outros planetas, a situação muda drasticamente. O homem ou a mulher serão agitados, inquietos, caprichosos e incontroláveis. Claramente, não serão um presente para os outros, especialmente para aqueles mais próximos.
A Lua é nossa chave mágica
No Ocidente, quando perguntam a uma pessoa sobre seu signo zodiacal, há 99 chances em 100 de que ela responda com base no signo solar. Já na Índia e em países com culturas próximas, com a mesma probabilidade, a pessoa mencionará o signo lunar. Como recentemente comentaram comentaristas de televisão: “Dois mundos, dois destinos”. O Ocidente, voltado para conquistas externas, e o Oriente meditativo. Tentemos harmonizar essas abordagens e, munidos do conhecimento de ambas as tradições, compreendermos plenamente nossas profundezas. Depois, poderemos levar aos outros aquilo para o qual viemos ao mundo. Afinal, isso está claramente revelado em nosso mapa natal. E a Lua indicará o que fazer e como agir.





