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Ano de Júpiter – a redistribuição de esferas de influência não substituirá mudanças sistêmicas no poder


Guerra pelo poder e ausência de reformas… pode nos custar o Estado. Às 00 horas e 45 minutos do dia 21 de março, no horário de Kiev, iniciou-se o novo ano astronômico. E Saturno — regente do ano anterior — transmitiu solenemente seus direitos ao novo governante: Júpiter, cuja influência já começamos a sentir desde o final de fevereiro. Mas sobre isso falaremos mais adiante.

Na astrologia mundial, Júpiter é responsável pelos valores gerais e sistemas de crenças, pela política estatal capaz de garantir justiça social nas esferas de informação, gestão e poder executivo. Está ligado ao bem-estar nacional e à riqueza do país, às pessoas abastadas, aos bancos e à vida financeira da sociedade. Além disso, representa o poder supremo no país, os tribunais, as igrejas. Essa é a caracterização geral. Agora, tentemos entender o fenômeno de Júpiter no contexto dos eventos na Ucrânia.

A entrada de Júpiter no novo ano astrológico é marcada por seu movimento retrógrado pela 8ª casa, em aspectos tensos com Plutão transitante, Netuno natal retrógrado e Lua Negra na 1ª casa, ao mesmo tempo em que forma um aspecto favorável com Urano na 3ª casa. Assim, o principal motivo do ano será a REVISÃO do seguinte:
– dos ideais e sistema de valores comuns à nação;
– do sistema de organização estatal e das instituições de poder;
– das regras de distribuição da riqueza nacional;
– da condução da política financeira, em particular a tributária, levando em conta a experiência internacional.

Além disso, esse Júpiter prevê a RESTITUIÇÃO dos direitos do Estado sobre os recursos naturais e a propriedade que foram perdidos devido a esquemas de corrupção e privatizações ilegais por particulares nos anos anteriores. Essa direção na vida do Estado terá prioridade, e a atividade social nessa esfera será muito intensa. Poucos dos atuais detentores de capital e recursos escaparão à atenção minuciosa de seus “ativos” e “conquistas” por parte da sociedade civil.

Nos próximos seis meses, ou seja, até setembro inclusive, os escândalos de corrupção envolvendo políticos, pessoas influentes e oligarcas assumirão o caráter mais cruel. Não raro, serão guerras secretas, destinadas a minar a autoridade por meio da exposição de circunstâncias desagradáveis da vida pessoal e empresarial, com manipulação e distorção de fatos. Também serão alvo figuras públicas que iniciaram ou participaram do desvio de recursos e empresas, especialmente de importância estratégica, do patrimônio estatal para mãos privadas.

É verdade que muitos deles já fecharam suas contas com a vida por circunstâncias não esclarecidas (como mencionei acima sobre a influência de Júpiter em fevereiro). Alguns empresários ligados ao poder, que são também oligarcas, tentarão usar essas tendências em nome da redistribuição e fortalecimento de suas esferas de influência na Ucrânia e até podem tentar impor ao nosso país um modelo estatal putinista, onde o presidente será o principal condutor dos destinos (forma oculta de monarquia — Júpiter retrógrado em Leão), cercado por uma elite escolhida.

Como Júpiter retrógrado permanecerá nos próximos seis meses no signo de Leão, que rege os palcos teatrais, podemos dizer com segurança que, nesse período, seremos testemunhas de cenas marcantes, encenadas segundo o princípio de “o povo precisa de espetáculos”. Tudo isso será acompanhado por gestos ostensivos, declarações públicas ruidosas e promessas de nossos políticos, bem como de pessoas incompetentes e irresponsáveis, mas convincentes no nível do populismo. Como material ilustrativo sobre “luta contra a corrupção”, podem ser apresentados “heróis” de acordos ilegais, especulações e subornos. Até mesmo processos judiciais anteriormente suspensos serão reabertos e ganharão notoriedade, e parte do que era “secreto” se tornará público.

Porém, “espetáculos” sem “pão” (piora acentuada do nível de vida das pessoas) podem provocar manifestações coletivas de descontentamento e evoluir para agitações populares. E atitudes como a clara intenção das autoridades de manter velhas abordagens na gestão do Estado em nome do enriquecimento pessoal, o distanciamento das reais condições sociais, o aventureirismo descarado na área de aumento de tarifas e preços, a arrogância, o desdém pelos mais humildes, a vaidade e o narcisismo, a presunção de excepcionalidade e nobreza — tudo isso, justamente neste ano, pode se tornar o “pano vermelho” que levará o descontentamento popular ao nível do extremismo.

O trânsito de Júpiter pela 8ª casa costuma estar associado a mudanças que têm caráter doloroso e até fatal. E aqui há muitos fatores. Muitos são amplamente conhecidos: potencial falência do país, necessidade de pagamento de empréstimos anteriores, indenizações aos afetados por ações militares e ocupação, condução de operações bélicas, baixa arrecadação de impostos e alfândegas, grandes perdas financeiras devido a fraudes e crimes cometidos por funcionários. Por isso, Júpiter deste ano abre novas oportunidades para instituições civis, que poderão ocupar posições dignas nos órgãos do poder executivo, da justiça e da defesa, estabelecendo controle máximo sobre suas atividades. A necessidade de legalidade e justiça da sociedade civil pode encontrar terreno fértil na vida sociopolítica, que, a partir de setembro, começará a adquirir caráter estável e poderá expandir sua esfera de influência para o âmbito internacional.

E mais. Aqueles que, direta ou indiretamente, privatizaram a Ucrânia e, por 24 anos, fizeram de nosso Estado seu negócio pessoal, hoje são obrigados a chegar a um acordo entre si e fazer tudo ao seu alcance para que o inimigo voraz, acumulado no leste de nosso país, seja, no mínimo, detido.

A esse respeito, gostaria de citar um interessante fato histórico de Andriy Ilarionov. Quando, no século I d.C., as tropas romanas sitiaram Jerusalém, várias facções dentro da cidade continuavam a lutar pelo poder entre si. Judeus matavam judeus, armazéns de alimentos queimavam, o sangue dos defensores da capital corria. Os romanos esperavam do lado de fora. Jerusalém caiu, e Israel deixou de existir por 2000 anos. Isso é alimento para reflexão. Portanto, senhores, o tempo ainda existe.

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