Na carta da distribuição da mortalidade ao longo do tempo em conexão com as flutuações periódicas da atividade solar, observamos, além dos já mencionados aumentos da mortalidade nas épocas de máximos da atividade solar, outros fenômenos: aumentos bastante acentuados da mortalidade geral nos anos de mínimos. Tal fenômeno é claramente revelado em nossos gráficos de mortalidade da Rússia e da província de Simbirsk. Para elucidar a questão de quão constante é esse fenômeno em outros casos, foi estudado o material estatístico sobre a mortalidade infantil até um ano de idade na província de Moscou no período de 1883 a 1917. Partimos do pressuposto de que, se esse fenômeno é condicionado pela influência de algum fator físico-químico do meio ambiente, produzido por certo estado da atividade solar, então o organismo infantil, no qual a sensibilidade a essa influência ainda não está suficientemente desenvolvida, reagiria a ela de modo especialmente agudo.
De fato, ao nos voltarmos para o texto que acompanha a tabela estatística compilada por P. I. Kurkin, lemos o seguinte:
“A mortalidade infantil na província segue a tendência de um declínio gradual… No caminho normal de declínio… surgem, por vezes, momentos em que a mortalidade infantil aumenta de forma abrupta e acentuada; como se, com certa periodicidade, uma vez a cada cinco anos (1885, 1889-1890, 1895, 1900-1905, 1909-1910, 1913), e terminam, na maioria dos casos, com um rápido retorno à normalidade.
Para facilitar a comparação dos dados sobre a atividade solar com os dados da mortalidade infantil na província de Moscou, encontramos o nível de declínio e tomamos, para nossa comparação, as flutuações em relação a esse nível (Tab. 37).
Ao plotarmos os valores obtidos em um sistema de coordenadas (Fig. 107) e compararmos com a curva esquematizada da atividade solar, vemos que o aumento da porcentagem de mortalidade infantil na província de Moscou ocorre tanto nos anos de máxima quanto de mínima intensidade da atividade solar, sendo que, nas épocas de máximos, o aumento das curvas é um pouco maior do que nas épocas de mínimos. Aqui também se evidencia claramente a figura 96.
Fig. 96. Mortalidade infantil na província de Moscou e a atividade periódica do Sol de 1883 a 1917. Linha preta: flutuações da série empírica em relação ao nível. Linha vermelha: curva esquematizada da atividade periódica do Sol. Período de 5-6 anos, assinalado por P. I. Kurkin.
Podemos, agora, oferecer uma explicação racional para esse fenômeno, tão claramente expresso em nossas curvas? Podemos, como geralmente se faz, construir uma série de hipóteses, nenhuma das quais, entretanto, nos satisfará completamente.
Após termos esclarecido a relação entre as séries empíricas de mortalidade em várias localidades da Rússia e a atividade solar, pareceu-nos interessante comparar os mesmos fenômenos utilizando o método de sobreposição de períodos ao longo do eixo dos máximos solares, com o objetivo de obter a curva média de uma série de ondas combinadas para cada localidade.
Esse método, como vimos acima, permite apagar as características individuais de cada onda isolada e eliminar aquelas flutuações acidentais que podem ocorrer sob a influência de causas temporárias e locais. Ao mesmo tempo, esse método oferece a possibilidade mais completa de revelar aquelas flutuações que surgem sob a influência de alguns fatores permanentemente atuantes, neste caso, fatores de origem cósmica.
Submetemos todo o material sobre mortalidade ao processamento por esse método e obtivemos as curvas apresentadas na Fig. 97. Sem dúvida, nessas curvas, em muitos pontos, revela-se uma coincidência rigorosa.
Examinemos, primeiramente, nossa curva média das ondas combinadas da mortalidade geral na Rússia Europeia de 1867 a 1917 (Tab. 38). Essa curva consiste em quatro elevações, das quais a mais alta cai no segundo ano após os máximos. Nos anos destes últimos, ao contrário, a curva apresenta um mínimo. A curva média seguinte da mortalidade geral em Moscou, de 1862 a 1924 (Tab. 35), também consiste em quatro elevações, das quais a mais alta também recai no segundo ano após os máximos, e, nos anos destes últimos, essa curva também cai.
Uma imagem aproximadamente análoga é vista na curva média da mortalidade geral em São Petersburgo, hoje Leningrado, de 1844 a 1924. O máximo da mortalidade recai no segundo ano após os máximos da atividade solar.





