PLANETAS E CHAKRAS
Em diferentes culturas, desenvolveram-se seus próprios sistemas de números chamados
sagrados (“sagrados” ou “santos”): assim, os gregos distinguiam quatro elementos,
os chineses — cinco, os mongóis — seis, os budistas — oito… O sete,
o oito e o dez, sem mencionar o doze (signos do Zodíaco), são sagrados
quase universalmente, mas em cada cultura são interpretados e estruturados de
modo diferente, razão pela qual não é possível unificá-los.
Assim, o Zodíaco no Oriente e no Ocidente inclui doze signos,
porém “sobrepor” o círculo das figuras de Ptolomeu ao círculo dos animais é
muito difícil: as fronteiras dos setores não coincidem, e o caráter dos heróis
dos mitos gregos antigos não é o mesmo dos chineses. O que dizer então da
combinação do sete com o dez (chakras e sefirot)?
Por isso, esses sistemas geralmente não são combinados, mas usados separadamente.
Eles só são compatíveis em nível filosófico (cosmológico), quando se trata do
estudo das leis gerais da estrutura do mundo e do homem, e ocasionalmente, ou
seja, em relação a uma necessidade prática específica.
Tal necessidade surgiu recentemente para mim. Alguém me perguntou se era
possível, pela cosmografia, saber quais chakras de uma pessoa estão ativos.
Como nunca havia refletido sobre isso antes, respondi que não sabia. Mas o
problema me interessou. Ao estudá-lo, descobri uma série de leis interessantes,
sobre as quais gostaria de falar.
Sobre os chakras, há muito conhecimento disponível, mas, numa primeira fase
de análise, limitei-me ao sistema dos sete, ou melhor, dos seis chakras clássicos
(shat-chakra nirupana: a sétima, a chakra superior, é destacada especialmente) e
aos sete planetas clássicos.
Logo ficou evidente que, nesse assunto, não há unidade na prática mundial.
No Ocidente (e aqui) costuma-se preferir associar os chakras e os planetas
simplesmente na ordem crescente:
sahasrara — Saturno (e os planetas mais altos)
ajna — Júpiter
vishuddha — Marte
anahata — Sol
manipura — Vênus
svadhisthana — Mercúrio
muladhara — Lua
Naturalmente, era preciso verificar como os próprios indianos associam chakras
e planetas. Descobriu-se que eles seguem o mesmo princípio, mas a ordem de
“antiguidade” (ou senioridade) dos planetas é um pouco diferente:
sahasrara — Mercúrio
ajna — Júpiter
vishuddha — Vênus
anahata — Saturno
manipura — Sol
svadhisthana — Lua
muladhara — Marte
Os astrólogos de São Petersburgo Semira e V. Vetash, que também trabalharam
nesse tema, propõem sua própria ordem:
(Sahasrara — Netuno)
ajna — Netuno, Prosérpina
vishuddha — Mercúrio, Urano
anahata — Lua, Saturno
manipura — Sol, Júpiter
svadhisthana — Vênus, Plutão
muladhara — Marte, Vulcano
A chakra superior, sahasrara, é apresentada de forma condicional, pois Semira
e V. Vetash também a separam do restante. Além disso, os colegas de São
Petersburgo associaram os chakras a dez sefirot (ou sefirós, como também são
chamadas), o que abriu um novo e interessante rumo para minhas pesquisas. Mas
isso ficará para depois. O esquema que eles criaram é o seguinte:
sahasrara — Kéter
ajna — Hokhma, Biná
vishuddha — Hesed, Guevurá
anahata — Tiféret
manipura — Hod, Netsah
svadhisthana — Yesod
muladhara — Malkut
Por fim, encontrei em Barbara Shermer outra proposta, baseada no ensinamento
do Kriya-Yoga:
chakra: para homens: para mulheres:
– – –
ajna — Sol (Leão) — Lua (Câncer)
vishuddha — Mercúrio (Gêmeos) — Mercúrio (Virgem)
anahata — Vênus (Libra) — Vênus (Touro)
manipura — Marte (Áries) — Plutão (Escorpião)
svadhisthana — Júpiter (Sagitário) — Netuno (Peixes)
muladhara — Urano (Aquário) — Saturno (Capricórnio)
Por que a sétima chakra está ausente, o leitor já sabe: não é o próximo
membro da série, mas uma entidade qualitativamente diferente que une as
anteriores. Completando logicamente esse esquema, a chakra superior pode ser
associada aos nodos lunares (Cabeça e Cauda do Dragão), que os indianos
incluem na série planetária em pé de igualdade com os demais.
De qualquer forma, esse esquema revelou-se mais diferenciado e mais lógico
do que os anteriores, pois já representava um síntese de vários sistemas,
além de ter sido elaborado em um nível bastante elevado. Restava apenas
conectá-lo a outros sistemas cujo nível de elaboração fosse, no mínimo,
igual ao dele. Como resultado, surgiu o seguinte esquema (ver figura). Na
imagem, estão representados apenas os elementos mais importantes do esquema;
os demais são descritos no texto. Os signos do Zodíaco no círculo central
não seguem um após o outro no sentido horário ou anti-horário, mas são
apresentados “desordenados” para não separar as figuras andróginas em
elementos masculinos e femininos em ordem alternada.
E agora — comentários sobre o esquema.
Os sábios hebreus contavam dez esferas ou cascas — as sefirot, associadas
aos dez nomes de Deus. A própria palavra “sefirot” traduz-se como “enumeração”,
no plural, o que enfatiza a multidimensionalidade desse conceito. A palavra
“sefir” está etimologicamente ligada, por meio do árabe, à nossa palavra
“algarismo”, e as sefirot realmente correspondem a conceitos numéricos de um
(Kéter) a dez (Malkut), em número igual ao de dedos das mãos. Elas se
opõem umas às outras como 5 contra 5, mas, em cada uma dessas oposições,
as sefirot trazem em si sua unidade… As sefirot não são apenas um número e
a ideia correspondente, mas todo um arquétipo, universal tanto para o homem
quanto para o Cosmos.
Além disso, os cabalistas dividiam o mundo (os mundos) em duas grandes
partes — o visível e o invisível: “Tu revelaste ao mundo dez cascas, que
chamamos de dez sefirot, para que, por meio delas, governasses os mundos
ocultos, invisíveis, e os mundos abertos…” Ao mundo visível pertence a Terra,
onde vivemos, ou seja, nosso próprio planeta como “realidade dada a nós
pelos sentidos” (Assiá, de “asa” — ver, criar; cf. o grego “ousía”, essência;
interessante também a semelhança — ou afinidade? — com o numeral “éser”, dez),
bem como seu mundo criado, ou seja, a Criação (Ietsirá, de “ietser” —
produzir, moldar).
“… Tu criaste o céu e a terra e, por meio deles, criaste o Sol, a Lua,
as estrelas e os planetas, e, sobre a terra, as árvores, as diversas
plantas, o jardim do Éden, as ervas, os animais selvagens e domésticos, as
aves, os peixes e os homens.”
Daí vêm os nomes dos dois primeiros mundos.
————————- MUNDO REAL ————————-
O Mundo Real ou Mundo Geral (Olam ha-Assiá; cf. o sânscrito “saha-loka” —
mundo habitado) inclui apenas uma (a décima) sefirá, Malkut (Reino), que,
no entanto, tem caráter “geral”: “Tu criaste este mundo de tal forma que, ao
contemplá-lo, pode-se obter uma ideia de seu arquétipo — o mundo superior.”
Diz-se também que “o fim está contido no início” e, assim, na sefirá Malkut
refletem-se as sefirot superiores — a primeira, a segunda e a terceira, que
serão discutidas mais adiante.
Cf. também o nome da sétima chakra — sahasrara. Nenhuma das chakras
corresponde diretamente à sefirá Malkut; apenas a sahasrara, essa entidade
abarcante e qualitativamente diferente, está presente nela em forma não
manifestada.
————————- MUNDO DA CRIAÇÃO ————————-
Segundo mundo, mundo da Criação (Olam ha-Yetzira, reino da Natureza),
inclui três sefirot. Na Mahayana também se fala da existência
de “dez mundos interpenetrantes”, especialmente desenvolvidos no budismo tian-tai9. Nesse contexto, nosso mundo, o sahá-loka, não é incluído entre eles, pois esses dez mundos representam dez estados de existência — seis “comuns” (visíveis) e quatro “sagrados” (invisíveis). Assim, forma-se um esquema lógico que relaciona as três sefirot do mundo visível da Criação com os seis primeiros mundos da Mahayana. Quanto às chakras, a este mundo pertencem as três primeiras — muladhara, svadhisthana e manipura. Muladhara Portanto, o Mundo da Criação começa com a nona sefira, chamada Yesod. fundamento, base da estrutura, forma. “Yesod — o término do tronco, sinal da aliança sagrada”7. O tronco termina nos órgãos sexuais, mais precisamente no ponto hui-yin (“união do yin”, VC1): “as chakras são partes do sukshma sharira (corpo sutil — N.M.), mas na fisiologia e anatomia humanas existem pontos que lhes correspondem”10. De acordo com os pontos do meridiano anterior (VC), é possível localizar praticamente todas as chakras. Esse ponto corresponde à muladhara, associada à construção e “fundamento” do templo de nosso corpo (seu nome significa “raiz”1), com aquilo que recebemos de vidas passadas, com o sentido do olfato e com o elemento terra. Afinal, como se sabe, os antigos hebreus juravam, colocando a mão “sob a coxa” — a sua ou a de seu pai. Sem adentrar em longos comentários linguísticos, deve-se notar que se tratava dos órgãos sexuais11. Tanto mais que a própria muladhara é representada como um lótus vermelho de quatro pétalas, em cuja taça está um triângulo, e dentro do triângulo — o símbolo fálico de Shiva, a svayambhu-linga12. Na ordem tradicional de disposição dos planetas “a partir da Terra” e acima — Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno — a esta sefira, bem como a esta chakra, corresponderia a Lua. No entanto, na astrologia cármica, sabe-se que o planeta mais importante do ponto de vista cármico é Saturno — “a porta de passagem de uma vida terrena para outra”13. Além disso, Saturno é responsável pela formação, estruturação: eis o sentido da sefira Yesod. Assim, à sefira Yesod e à muladhara correspondem Saturno e Capricórnio. O papel da Lua aqui é bastante interessante: na esfera de influência de Saturno (Capricórnio), ela está em queda, ou seja, debilitada. Ao aplicar o princípio de bu-se (influência no meridiano oposto14), pode-se entender por que surgiu a associação da sefira Yesod com a Lua. Algo semelhante observaremos adiante. A astrologia moderna, que conhece os planetas trans-saturninos e os antigos “segundos” domicílios planetários, que lhes são atribuídos como casas tradicionais, coloca no segundo (noturno) domicílio de Saturno, Aquário, o planeta Urano, equilibrando assim os elementos ar (olfato) e terra (fundamento do templo). O ser humano é representado, como se sabe, por dois sexos — homem e mulher. Na sefira Yesod, a muladhara em sua forma terrestre, capricorniana (Saturno), manifesta-se nas mulheres — não é à toa que Saturno, em algumas escolas, é aceito como símbolo da mãe no mapa natal da criança15 —, nos homens ela se manifesta na forma aérea, aquariana (Urano)5. Aqui, é claro, pode surgir novamente a questão do juramento hebraico antigo — afinal, apenas os homens juravam. Se o caráter saturnino do juramento ainda pode ser explicado (Iahweh é um deus saturnino), como explicar a ligação com Urano? No entanto, há até algumas explicações: lembre-se do caráter puramente masculino do deus grego Urano ou do indiano Varuna, entre outros. Além disso, nas concepções da Kriya-yoga e nas cosmogonias de muitos povos, “o ar e o fogo são princípios masculinos, enquanto a terra e a água são femininos”16. Entre os nomes sagrados, a esta sefira corresponde Shaddai — Aquele que é suficiente. O valor numérico do nome é 8. A seguir. Dos seis mundos “comuns” do tian-tai, a Yesod correspondem: — Mundo do inferno (“lua do inferno”, Saturno) para o elemento terra; — Mundo dos espíritos famintos (“lua dos espíritos famintos”, que se identifica com a Lua comum13; entretanto, os raciocínios que permitem passar da Lua para Urano não são complexos). Elemento — ar. Svadhisthana A oitava sefira — Hod (literalmente “reflexo de luz ou som”, comparável ao grego “eco”, russo “zumbido”; mais tarde, essa palavra adquiriu o significado de “glória”, boa ou má). A segunda chakra, svadhisthana, é um lótus de seis pétalas de cor cinábrio com uma lua crescente em sua taça (em muitas mitologias, os deuses Lua e Vênus se confundiam e se misturavam). Svadhisthana personifica a relação com outras pessoas (incluindo sexo), o sentido do paladar e o elemento água. A ela corresponde o ponto zhong-ji (“ponto médio do topo”, VC3), localizado quatro tsun abaixo do umbigo. Em nosso esquema, a ela correspondem Peixes e Netuno nas mulheres e Sagitário e Júpiter nos homens. Ao falar de Netuno para as mulheres, pode-se mencionar os rituais de purificação (lavagens), prescritos para as mulheres no tratado hebraico “Tahorot”17. Entre os nomes sagrados, esta sefira corresponde a Elohim Tzevaot (Sabaoth), Deus dos Exércitos. Seu número é 9. Dos mundos tian-tai, esta sefira corresponde a: — Mundo dos animais (“lua dos animais”, Vênus: sobre a relação entre Vênus e Netuno não há o que discutir) para o elemento água; — Mundo dos humanos (“lua dos humanos”, Mercúrio. Até que ponto Mercúrio é adequado aqui é difícil afirmar; entretanto, Mercúrio é bastante polimorfo, e além disso, aqui também se pode aplicar a regra bu-se — influência no meridiano oposto: Sagitário e Peixes são os lugares de queda de Mercúrio, ele exige reforço. Voltaremos a isso mais tarde. Manipura A sétima sefira, Netzach (do caldeu “neytzah” — vencer, superar; tradução tradicional — Vitória. Rabinos modernos declaram como “Netzah” — Eternidade). Entre os nomes sagrados, novamente Sabaoth, mas como Sabaoth-Iahweh (Iahweh-Tzevaot). O valor numérico do nome é 3.A terceira chakra, manipura — “Chakra da cidade de diamante”, centro de troca de energia com outras pessoas, sentido da visão e elemento fogo. O ponto shui-fen (“divisão da água”, VC9), localizado um tsun acima do umbigo. Correspondências astrológicas: Marte e Áries nos homens (Vitória), Plutão e Escorpião — nas mulheres (eternidade). Vênus em queda. Correspondem: — Mundo dos Asuras (“lua dos titãs”, Marte), elemento fogo; — Mundo do céu (“lua dos deuses”, Plutão), elemento água: Escorpião — signo de água. “E as flores da imortalidade flutuam sobre as águas da eternidade”, como escreveu o poeta grego Odisseas Elytis. Sobre a sétima e oitava sefirot também se diz: “Netzach e Hod são as pernas… A balança precisa simboliza os dois suportes confiáveis — as sefirot. Hod 7. ————————— MUNDO DA CRIAÇÃO ———————— Passemos agora aos mundos invisíveis. O primeiro — reino dos sentimentos, Mundo da Criatividade, Olam ha-Beria (de “bara”, no final aleph: criar, formar). São as imagens que ainda não se encarnaram na realidade, ideias das coisas, leis: “A Lei está ligada à sefira Guevurá (quinta); a justiça — à coluna central, sobre a qual repousa o universo, — a sefira Tifaret”7. Guevurá, além disso, representa a mão esquerda, Hesed (quarta sefira) — a direita, enquanto Tifaret — o tronco. Dos mundos budistas (tian-tai), estes são três dos quatro espirituais, “sagrados” mundos. As correspondências planetárias para os mundos sagrados não são indicadas; o leitor familiarizado com astrologia pode associá-los a certas hipotéticas planetas. Nós, por nossa vez, aplicaremos a mesma lógica usada acima. Anahata A sexta sefira — Tifaret (de “pa’ar”, adornar, embora também se aproxime de “par” — boi, touro), tradução tradicional — beleza. Essa sefira personifica, como já dito, o tronco, “coluna central”,sobre a qual repousa a estrutura do universo. A ela corresponde, entre os nomes sagrados,
Eloha, número – 6.
O quarto chakra, anahata (traduzido como “imaculado”1 ou, segundo
o sânscrito, “Ana”, respiração?), é o chakra da Simpatia. Um lótus de doze pétalas
de cor ocre. Na sua taça, dois triângulos entrecruzados, que lembram a Estrela de Davi.
Está associado à respiração e ao elemento ar.
Para mulheres, relaciona-se com Vênus e Touro (terra); para homens, com Vênus e Libra (ar).
Entre os pontos, corresponde ao jiu-wei (“cauda da pomba”, VC15, entre os mamilos).
Touro e Libra são os lugares de queda de Marte (e Plutão).
“O mundo daqueles que ouvem a voz”.
Vishuddha
A quinta sefirá, Guevurá (Força, do hebraico “gavar” – ser forte; também significa
poder e potência), Lei7. À primeira vista, uma característica exclusivamente jupiteriana,
mas já suspeitamos que Júpiter aqui é fraco: em Gêmeos e Virgem, está em queda.
Entre os nomes sagrados, corresponde a Elohim, número 5.
O quinto chakra, vishuddha (“purificado” – lembre-se do tratado “Tahorot”),
ligado à purificação e a Mercúrio na sefirá de Hod?), está associado ao conceito
de espaço. Um lótus de dezesseis pétalas, de cor fumegante. Na taça do lótus, um círculo,
símbolo do éter. Representa a força criativa, a capacidade de autoexpressão
(o que lembra o Ás de Paus, carta dos Arcanos Menores do Tarô). Seu elemento é o
“quinto elemento” dos antigos, o éter. O ponto correspondente é tian-tu (VC22),
“caminho celestial”, no centro da fossa esternal.
Para mulheres, relaciona-se com Mercúrio e Virgem; para homens, com Mercúrio e Gêmeos,
locais de queda de Júpiter (e Netuno).
“O mundo daqueles que caminham rumo à iluminação”. Não por acaso, A. Podvodnyi
observa que os níveis de vishuddha, ajna e sahasrara (ou seja, em nossa compreensão,
mercurial – Buddhi, solar-lunar – Atman e o mais elevado – Absoluto ou Brahman)
são alcançados pela pessoa encarnada apenas por meio da meditação”18. Essa
afirmação é confirmada também pelas sete etapas do aperfeiçoamento iogue
(na ordem de baixo para cima):
Raja-samadhi (concentração)
ioga dhyana (meditação)
pranayama (respiração)
pratyahara (abstração)
Kriya-mudra (gestos)
ioga asana (posturas)
shatkarma (purificação, yama e niyama)
Ajna
A quarta sefirá, Chesed (“do hebraico “hesed” – aspirar ao bem, ser nobre;
daí “hasid” – piedoso): bondade, Misericórdia. Entre os nomes sagrados,
corresponde a El, número 4.
O sexto chakra, ajna, “terceiro olho”, Olho da Sabedoria12 – a capacidade
de visão espiritual. Um lótus branco de duas pétalas. Pashyanti-vach –
linguagem imaginária, não articulada. Na taça do lótus, um triângulo
invertido, dentro do qual está a palavra sânscrita “Om”. Está associado ao conceito
de tempo e ao reino das imagens. Sua esfera é regida pelo Sol e pela Lua, pois
quem melhor personifica o conceito de tempo?
O ponto correspondente é a chamada “ponto yin-tang” (“palácio selado”),
embora esteja localizado no meridiano anterior médio (no centro da testa,
entre as sobrancelhas), mas tradicionalmente o meridiano VC não é incluído.
Para mulheres, relaciona-se com a Lua e Câncer; para homens, com o Sol e Leão.
Saturno e Urano estão em exílio aqui.
“O mundo dos bodisatvas”.
————————— MUNDO DAS EMANAÇÕES ————————–
Sahasrara
A seguir, encontramos o mais elevado dos mundos espirituais, Olam ha-Atsilut
(do hebraico “atsal” – separar, reservar), o Mundo das Emanações. Ele inclui três sefirot:
“Hochmá (Sabedoria) – o cérebro, receptáculo do pensamento; Biná (Entendimento) –
o coração, pois se diz: o coração compreende. E sobre as duas últimas sefirot
está escrito: Os segredos pertencem apenas ao Senhor, nosso Deus (Deut. 29:28);
Kéter Elion (Coroa Suprema) – a coroa real, como está dito: No início
Ele anuncia o que há de vir (Isa. 46:10)”7.
Este é o reino supremo, o reino da Razão Cósmica; no budismo tian-tai,
é o último dos quatro “mundos sagrados”, o mundo de Buda. As sefirot
que o compõem são unificadas, pois, como indicado no comentário ao
Minje7, “não se revelam no mundo, entre outras coisas, indicando sua
correspondência com os órgãos internos do homem”. A Coroa, Kéter, não é
apenas o topo da cabeça, mas aquilo que está acima da cabeça, “o lugar
onde se colocam os tefilin (caixas com textos de oração – N.M.)”7.
Os números 1, 2 e 3, na cultura chinesa, significam “céu, terra, homem”.
Como dito no livro Tao Te Ching: “Da Verdade nasceu Um, do Um surgiram Dois,
dos Dois formaram-se Três, e dos Três, todas as miríades de coisas”19.
Além disso, é a Santíssima Trindade cristã e as Três Grandes Leis Secretas
do budismo, entre outras.
Portanto, este mundo começa com Saturno e vai além de Saturno,
simbolizando, para os europeus, os planetas mais elevados, e, para os indianos,
a Cabeça e a Cauda do Dragão (considerados os planetas mais influentes).
Daí sua correspondência com o sahasrara de mil pétalas, o chakra que
simboliza a coroa do ser, morada da consciência pura de Shiva.
O ponto correspondente é o VG21 (20) qian-ding, “colina frontal”,
no meridiano posterior médio; entretanto, essa correspondência é bastante
condicional, pois o sahasrara difere qualitativamente dos outros chakras,
não podendo haver uma correspondência direta no corpo humano.
Agora, sobre as sefirot.
A terceira sefirá, Biná (do hebraico “bin” – discernir, distinguir; comparar com
a navalha de Occam ou “zhengming” – “correção dos nomes” no confucionismo),
é caracterizada por Saturno: as portas que conduzem de uma encarnação a outra.
Entre os nomes sagrados, corresponde a Iehovah (Javé), a tétrada sagrada
com número 8.
A segunda, Hochmá, em sua essência sophianica, é comparada ao
Zodíaco como um todo e personifica a Sabedoria. A raiz “haham” (tornar-se sábio)
deriva de “hekh” – céu, garganta (comparar com o russo “небо” e “нёбо”),
que também significa “boca” (veja sobre Malchut!). Entre os nomes sagrados,
corresponde a Iah, o antigo deus lunar egípcio da sabedoria e da escrita,
venerado em Hermópolis e identificado com Thoth. Seu número é 6.
E, por fim, a primeira e suprema sefirá – Kéter, a Coroa, o ápice
da trigrama e de todas as dez sefirot, o superego. Seu nome é Eheieh,
número 3. “O mundo dos arquétipos, que contém todas as ideias em sua
pureza divina original – é Kéter”6.
Conclusões
O esquema aqui apresentado não reivindica universalidade nem
ser a verdade final. Antes de tudo, serve como uma ferramenta de conhecimento
do mundo, cuja conveniência reside em sua “compatibilidade”, ou seja, na
capacidade de se integrar a modelos de mundo estudados em muitos sistemas,
inclusive aqueles apenas mencionados ou não citados no texto do comentário
(ioga, sufismo, teosofia, cosmologia tibetana, entre outros).
Seu valor prático para o astrólogo reside no fato de permitir determinar,
a partir de um mapa natal, quais chakras da pessoa
“funcionam” de forma mais ativa – ou devem funcionar, dada sua inclinação inata.
Ele foi testado em inúmeros mapas natais, inclusive de figuras históricas,
e comprovou sua aplicabilidade.
A atividade (“abertura”) dos chakras é indicada pelos planetas que ocupam
uma posição especialmente proeminente no mapa. Isso pode ser um stellium
(aglomerado de três ou mais planetas em um mesmo local), uma posição em seu
domicílio ou exaltação, reforçada por aspectos exatos (“benéficos” ou “maléficos”,
neste caso não importa), a posição do planeta no grau de avatar (15 graus
de Touro, Leão, Escorpião ou Aquário), etc. Basta encontrar tal planeta
(ou planetas) no círculo central do esquema para dizer qual chakra deve
funcionar mais ativamente na pessoa, além de determinar com precisão
a segunda e a terceira posição em termos de atividade.Os ângulos (ASC-DSC e FC-MC) por si só não “ressaltam” a posição.
planetas. Embora, é claro, se um planeta “destacado” também
estiver no Ascendente, isso pode ser considerado um indício adicional
da atividade da respectiva chakra.
Inversamente, um planeta em posição fraca — em queda, retrógrado (sem
aspectos), queimado etc. — indica passividade
da chakra correspondente, sua falta de desenvolvimento e/ou a necessidade
de ativá-la.
O período de possível “abertura” ou ativação da chakra é determinado
pelos trânsitos, especialmente por aqueles de planetas elevados (de Júpiter
para cima) e por planetas complementares (coluna direita do diagrama).
O diagrama também oferece recomendações de como ativar uma chakra passiva
ou intensificar ainda mais uma ativa. Para isso, observam-se os planetas
posicionados na coluna ascendente do lado direito do diagrama (sistema ocidental
convencional de associação entre planetas e chakras, cujas origens agora
compreendemos: trata-se do mesmo princípio de bu-se, ou seja, a influência
exercida pelo polo oposto). Por exemplo, um Marte fraco (como Marte em Câncer)
em um homem naturalmente indica fraqueza na esfera de Netzach (incapacidadede concretizar planos) e o desenvolvimento insuficiente (“fechamento”) da
chakra manipura (troca de energia com outras pessoas). Na coluna vertical
direita, a ela corresponde Vênus, que serve ao astrólogo, em primeiro lugar,
como um indicador para verificar Vênus em seu mapa natal, que, em geral, também
se encontra em posição desfavorável; e, em segundo lugar, como um conselho
para aplicar o princípio de bu-se: fortalecer Vênus (ou seja, cuidar da
aparência, frequentar teatros com mais frequência, presentear mulheres com
flores, em suma — aprender a amar a si mesmo e aos outros).
O diagrama não oferece conselhos sobre como desativar (“fechar”) determinada
chakra.
Complemento
Assim como o número de planetas não se limita aos sete clássicos nem
mesmo aos dez atualmente conhecidos, o número de chakras também não se
restringe às seis clássicas (ou sete, se considerarmos sahasrara). “Existem
chakras, e sua quantidade varia de pessoa para pessoa. Uma pessoa pode ter
sete, outra nove, uma terceira mais, outra menos… na realidade, há um
número infinito de chakras”10. Os indianos também levavam em conta uma série
de chakras “adicionais” — lalana-chakra, manas-chakra, soma-chakra e
outras1. Consegui investigar apenas algumas; talvez algum leitor queira
dar continuidade a esse trabalho e, assim, descobriremos mais.
Assim, o renomado pesquisador Woodroffe (que também escreveu sob o
pseudônimo Arthur Avalon20), ao analisar antigos tratados indianos,
encontrou em uma ilustração, sob o lótus de doze pétalas da chakra anahata,
a representação de uma pequena chakra akitra. Essa disposição, no entanto,
significa que a akitra não está abaixo da anahata, mas em um nível mais
profundo, em outro plano ou, como dizem os seguidores da ioga integral,
no corpo causal.
Embora o oito (na akitra, oito pétalas) seja considerado o número
de Vênus3, essa chakra está relacionada não apenas a Vênus (e anahata), mas
também a Saturno, como uma das personificações do pai e senhor do universo
(cf. o oito como número da esfera Yesod e da chakra muladhara), e a Urano,
como símbolo do equilíbrio cósmico (“consciência mundial”).
Entre a órbita de Saturno e Urano está a de Quíron — o planetóide
descoberto em 1977 por Charles Kowal. Quíron corresponde à esfera
adicional (11ª) Da’at, geralmente localizada no Mundo da Criação, na linha
que une Tiferet (Vênus) aos três níveis superiores do Mundo das Emanações:
“Da’at — Conhecimento — abre um mundo para outro, ajuda a superar o Abismo
e conecta Keter a Tiferet — a ‘beleza’ no tronco central da ‘Árvore do
Equilíbrio’. A imagem de Da’at, ao se considerar as sefirot, costuma ser
omitida e, em parte, incorporada a Tiferet; por isso, Tiferet deve ser
analisado com essa ressalva”6. Para ilustrar, apresentamos o diagrama da
Árvore da Cabala, elaborado por Semira e V. Vetash.
Em outra ilustração do mesmo tratado — 21 na fronte humana, acima
da chakra ajna, havia uma pequena representação da chakra dvadasarna, ou
manas-chakra, um lótus de doze pétalas. Essa chakra, também localizada
no corpo causal, personifica o “Coração Celestial”, um conceito comum ao
luminar que une Sol e Lua, e à noção geral de visão, que combina ambos os
olhos, direito e esquerdo. “Assim como o coração físico é o centro do mundo
exterior, o Coração Celestial é o centro do mundo interior, percebido por
meio da meditação e da concentração”20. Também é chamada de manas-chakra,
considerada símbolo do “intelecto sutil” — manas20.
Na astrologia ocidental moderna, os símbolos do “intelecto sutil”, das
interações de ordem superior, são os asteroides que orbitam entre Marte e
Júpiter, fragmentos do mitológico Faetonte, sobretudo Ceres, Palas, Juno e
Vesta. Há grande tentação de associar dvadasarna e os asteroides à sefirah
Binah (“a que divide”, ou seja, o Intelecto), mas ainda não há dados
suficientes para tal conclusão. Os seguidores da escola Globa utilizam o
planeta fictício Faetonte, cuja caracterização em alguns aspectos coincide
com Juno; talvez eles consigam realizar uma pesquisa mais detalhada? De
qualquer forma, não foi possível estabelecer uma conexão direta entre
dvadasarna e a Árvore da Cabala.
E, por fim, no topo, no centro da escuridão, destaca-se um ponto
chamado Bindu. Essa palavra significa “gota”; também é assim que se chama
o sinal anusvara — um ponto acima ou abaixo de uma letra do alfabeto
devanagari, que indica sua pronúncia nasal (todas as palavras sagradas,
sobretudo os mantras, são pronunciadas pelo nariz).
Os brâmanes indianos, ao rasparem a cabeça, deixam um tufo de cabelo
que cresce exatamente nesse ponto. Considera-se esse ponto o centro
místico da alma e também é chamado de soma-chakra. Seus símbolos são a
Lua crescente e a noite lunar. Está associado à produção do sêmen
(testículos)2.
No sistema da Cabala, existe ainda outra sefirah adicional, chamada
Klífot (plural de klifah — “casca”, “invólucro”): formas negativas,
“impuras” de existência, resultado colateral do ato criador. Às vezes, ela
também é considerada uma (12ª) sefirah adicional, cujo significado se
assemelha ao de Plutão na astrologia.
Na Árvore da Cabala, os Klífot são tratados como uma tríade das três
sefirot superiores do Mundo das Emanações, como uma espécie de sombra. É
natural supor que a sombra dessa tríade também seja composta por três
partes. Bindu também se divide em três elementos ou partes: ichchha
(vontade), jñana (conhecimento) e kriya (ação)12.
Semira e V. Vetash também associam Klífot a Plutão — não ao Plutão
de nosso círculo central, mas ao planeta ausente na coluna vertical direita
do diagrama. Teoricamente, seria possível relacionar Klífot a outros
planetas ausentes, ou seja, aos hipotéticos transplutonianos, mas, em
primeiro lugar, os dados sobre o caráter de Transplutão — Isis, e muito
menos de Transplutão — Prosérpina, ainda são muito duvidosos; e, em
segundo lugar, não há necessidade disso. Principalmente porque Plutão, na
anatomia astrológica moderna, corresponde ao “quadril”, ao qual os antigos
hebreus juravam, ou seja, aos testículos. É o que escrevem Semira e V.
Vetash: “Klífot é a reserva de força de todo o sistema como um todo.
Klífot se manifesta, antes de tudo, como potencial de Keter — e o caos do
abismo, que se opõe à futura harmonia mundial. Depois, em cada estágio
da criação, surge seu próprio Klífot para equilibrar o que já foi criado e
permitir o acúmulo de forças para uma nova emanação — e somente quando
a criação está completa, Klífot se torna um mal inquestionável, pois suas forças ou exigem uma nova etapa de evolução ou ameaçam revertê-la. De todos os Klífot revelados em Malchut, apenas o potencial de fertilidade de Vênus —a paixão natural — é percebido pelo homem não como algo excessivamente
negativo”6.
Essa descrição se encaixa perfeitamente também em Bindu. Principalmente
porque Vênus
existe não apenas na terra e no céu, mas também nas formas feminina e
masculina (Afrodíton, divindade masculina venusiana em Chipre
e outros), e a capacidade de Plutão de criar “o mal” (ainda que não intencionalmente)
é amplamente conhecida.
Por enquanto, encerramos aqui nossa investigação. Como leitor,
você provavelmente já percebeu que ela oferece material bastante rico para
reflexão. O autor, por sua vez, agradeceria aos leitores por quaisquer observações e
sugestões.
Bibliografia:
1. Yefimenko V. Conceito de shakti na cultura indiana. 1992, manuscrito inédito.
2. Saraswati, Swami Satyananda. Asana Pranayama Mudra Bandha. Bihar, Índia, 1977.
3. Hinze, Oscar Marcel. Tantra Vidya. Baseado em Archaic Astronomy and Tantric Yoga. Delhi, 1989.
4. Semira. A arte da astrologia. Leningrado, 1989, samizdat.
5. Schermer, Barbara. Astrology Alive. Northampton, Reino Unido, 1989.
6. Semira, Vetas V. Cabala. Parte I. 1990, manuscrito inédito.
7. Minhá le-Erev Shabat. Sidur Tehilat Ha-Shem, Jerusalém, 1990.
8. Sefer Yetzirah, citado em /7/.
9. Radhakrishnan S. Filosofia indiana, trad. do inglês, vol. 1, Moscou, 1956.
10. Rajneesh, Bhagwan Shri. Meditação: a arte do êxtase interior. Rajneesh Foundation, Poona, Índia, 1977 (trad. russa samizdat).
11. Cf., por exemplo, Provérbios 24:2; comentário em: Nikelsky N.M. Obras selecionadas sobre história da religião. Moscou, 1974.
12. Shah, Pragna R. Tantra: Seu aspecto terapêutico. Punthi Pustak, Calcutá, 1987.
13. Koechlin de Bizemont, Dorothée. L’Astrologie Karmique. Paris, 1983.
14. Luvsan, Gavaa. Métodos tradicionais e modernos da reflexoterapia oriental. Moscou, 1986.
15. Huber B., Huber L. Die Berechnung des Horoskops. Adlisvil/Zurique, 1988.
16. Arsenyev V.R. Animais = Deuses = Homens. Moscou, 1991.
17. Iesh Yetza’á ma-Heshbon. N. Rosenberg, Brooklyn, NY, 1986.
18. Podvodny A. Cabala dos números. Moscou, 1989 (samizdat).
19. Tao Te Ching. Trad. do chinês por V. Perelishin. Rio de Janeiro, 1971.
20. Woodroffe, John. The Serpent Power. Madras, 1918.
21. Purnanandayati, Sri. Sat-Cakra Nirupana, 1577.





