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Cartas e Carma

CARTA E CARMA — por Ni MONSTER

Antes de mais nada, gostaria de dissipar um grande equívoco muito disseminado. A palavra “carma” é usada hoje em dia para designar tudo o que se possa imaginar: hereditariedade, “dívidas” que nos restam de vidas passadas, dharma (papel), moksha (serviço) e até mesmo kízmet… Na maioria das vezes, refere-se justamente ao kízmet, isto é, ao destino, ao fado (do árabe k’zm — quinhão), que diz respeito apenas a esta encarnação e não tem relação alguma com as vidas passadas ou futuras. Especialmente os sensitivos pecam por explicar com essa palavra todos os casos que escapam da relação direta médico-paciente. Mesmo que, em um sentido estritamente teórico, isso possa até ser verdade, na prática, como regra, nem um nem outro são fortes o suficiente, e, no nível comum, isso leva à substituição da relação médico-paciente pela relação sacerdote-leigo: quando se descobre que a doença de uma criança é culpa da presença da memória de uma avó falecida, esse fenômeno (não tão raro assim) é declarado “carma”, após o que todos balançam a cabeça com ar de sabedoria, e o trabalho comum do médico se transforma em um ritual sagrado com a participação de todos os membros da família. Felizmente, em nosso país, tão inclinado ao misticismo, isso, antes, ajuda do que atrapalha o tratamento, e o princípio de “curar a família” já é conhecido desde tempos imemoriais.

Enquanto isso, o carma é um conceito filosófico abstrato, aplicado ao cotidiano tão pouco quanto o conceito de “matéria” se aplica à mesa em que almoçamos. No hinduísmo, trata-se da causalidade geral, semelhante ao conceito grego-europeu de télos (causa final), razão pela qual a relação causal comum, que pressupõe irreversibilidade no tempo (sempre primeiro vem a causa, depois o efeito), não se aplica à esfera do carma. No budismo e no taoísmo, é a lei impessoal do equilíbrio cósmico, que sempre busca a autorrestabelecimento. Um indivíduo astuto pode perturbá-la em algum ponto; o mundo não vai desmoronar por isso, mas a pessoa, como se costuma dizer, vai se prejudicar, pois o equilíbrio buscará se restabelecer, e a pessoa pagará pelo dano causado. (Na mitologia mundial, há apenas um caso descrito de uma violação tão profunda desse equilíbrio que o mundo realmente “virou de cabeça para baixo”, mas isso não foi feito por um ser humano).

Existe também o conceito de “carma instantâneo” (instant karma) — uma retribuição rápida e inevitável pelo mal cometido. Essa também é uma ideia ocidental, que remonta à passagem bíblica “Minha é a vingança, e eu retribuirei” (Lc. 12:19). No Oriente, não se dividem os processos de restauração do equilíbrio cósmico por “velocidade”: cedo ou tarde, ele será restaurado, mas se isso ocorrer em dez minutos ou em dez mil anos, ninguém sabe. S. M. Lazarev (“Diagnóstico do Carma”, São Petersburgo, 1993), em sua prática, observa um aumento na frequência de manifestações de “carma instantâneo”, o que, no entanto, provavelmente se explica pela incapacidade de uma pessoa rastrear esses processos ao longo de longos períodos de tempo.

A retribuição não necessariamente ocorre dentro da mesma encarnação, por isso, em princípio, pode-se falar de uma “dívida cármica”. No entanto, é preciso ter clareza sobre o que se entende por isso. Infelizmente, a doutrina do carma chegou até nós por meio do Ocidente, e as pessoas práticas ocidentais reduziram o conceito de um déficit local no equilíbrio cósmico à ideia de uma dívida não paga.

Um exemplo clássico dessa abordagem é o livro da francesa de origem alemã Dorothée Koechlin de Bizemont “Astrologia Cármica” (Koechlin de Bizemont, Dorothée. L’Astrologie karmique. Robert Lafont, Paris, 1980). Aliás, no caso da própria madame de Bizemont, o carma não é algo importante, pois seu nome é distorcido de várias maneiras entre nós (embora, nesse caso, não se trate de carma, mas de kízmet). Há muito tempo, ela é conhecida aqui pelo apelido “de Vizi”; na revista “Astrolog” N° 1 de 1994, foi chamada de “Koechlin de Bizemont” — aliás, há trechos desse livro reproduzidos na revista. O livro é bastante confuso, a parte teórica é muito fraca, mas algumas análises práticas da carta natal estão bastante precisas.

Outro livro, não menos conhecido entre nós, é “Astrologia Cármica” de Martin Schulman, americano (Schulman, Martin. Karmic Astrology. Ann Arbor, MI, 1975). A parte teórica também é modesta, mas as descrições dos nós lunares em signos e casas são muito úteis para o trabalho prático.

Na prática astrológica, raramente surge a necessidade de estudar os elementos cármicos da carta natal. Refiro-me ao fato de que não se deve analisá-los simplesmente por curiosidade (a menos que se trate do seu próprio mapa, cujo estudo sempre é útil). Não porque isso seja “perigoso” ou “prejudicial”, mas simplesmente porque esse excesso de informações pode atrapalhar a análise dos problemas comuns e “terrenos” da carta. Se, no entanto, essa necessidade surgir — seja pela complexidade dos problemas analisados, seja por insistência da própria pessoa cujo mapa está sendo estudado —, tais elementos podem ser encontrados. Mas, em primeiro lugar, é preciso ter uma ideia clara do que se está buscando e para que, ou seja, ter pelo menos uma noção geral da teoria do carma. Em segundo lugar, deve-se basear não em “inspirações” ou “vozes do além”, mas apenas em métodos e técnicas já consagrados pelo trabalho de astrólogos do Oriente e do Ocidente.

O astrólogo que se propõe a analisar os elementos cármicos da carta tem três objetivos:

1. Determinar qual é a carma do indivíduo em questão (no sentido filosófico, budista-taoísta, embora, nesse caso, o carma seja em grande parte idêntico ao kízmet), fornecendo-lhe recomendações gerais;

2. Construir o mapa de uma encarnação passada (ou de uma vida anterior, futura etc.) para determinar seus principais indicadores;

3. Encontrar os vínculos cármicos entre o indivíduo em questão e outras pessoas que lhe interessem ou com as quais esteja de alguma forma relacionado.

Analisaremos esses pontos na ordem apresentada.

1. Carma individual

Os astrólogos indianos preferem ler o carma por meio de Saturno. Saturno é o carma que se transfere de uma vida para outra. A posição de Saturno no signo e na casa é a “missão suprema” da pessoa não apenas nesta, mas em todas as suas encarnações. Seu conteúdo é a manutenção ou restauração do equilíbrio cósmico, pelo qual cada um trabalha no local designado em determinada encarnação.

Nesse sentido, a importância de Saturno direto ou retrógrado é quase a mesma: o retrógrado apenas indica que a pessoa terá de trabalhar muito, enquanto o direto exige mais não-ação. Isso pode ser esclarecido pela posição do Sol em relação à linha dos nós. Se, na cosmografia natal, o Sol se move da Cauda do Dragão (Ketu) para a Cabeça do Dragão (Rahu), a pessoa logo conseguirá superar o fardo de vidas passadas; quanto mais próximo o Sol estiver da Cabeça nesse caso, menor será o peso do passado cármico sobre a pessoa. Se o momento da passagem do Sol direcional pela Cabeça do Dragão se encaixar no período de vida da pessoa, ela poderá voltar à sua antiga carma.

Se o Sol natal se move da Cabeça do Dragão para a Cauda, a pessoa não conseguirá se livrar disso durante toda a vida.

da carga (violação do equilíbrio cósmico cometida em suas encarnações anteriores foi demasiado grande), mas será melhor conhecê-la, pois isso pode ajudá-lo a viver de modo que sua influência seja mínima. Assim, ele pode, ao menos parcialmente, corrigir a situação. Agora, vamos considerar brevemente o significado de Saturno, que os indianos chamam de “aquele que afasta”, ou seja, os I e VII casas “de si mesmo”, ou seja, um par de signos (casas) opostos: — eixo Virgem-Peixes — “ajudante em tempos difíceis” (médico, sacerdote); — eixo Áries-Balança — “artista” ou “guerreiro” (personalidade criativa ou profissão perigosa); — eixo Touro-Escorpião — “mercador” (empresário, homem de negócios); — eixo Câncer-Capricórnio — “solteirão” (pesquisador); — eixo Leão-Aquário — “aventureiro” (experimentador); — eixo Gêmeos-Sagitário — “vizir” (funcionário, administrador). Dependendo disso, a dharma se manifesta no mapa, ou seja, a tarefa dada à pessoa nesta encarnação, que decorre de sua carma. A dharma pode ser diferente em cada encarnação, dependendo de a pessoa ter alcançado sucesso em manter o equilíbrio cósmico na encarnação anterior ou não, ou seja, se há uma grande “obrigação cármica”. Para determinar a obrigação cármica e esclarecer a dharma, constrói-se o mapa da encarnação anterior ou de outras vidas, sobre o qual falaremos mais adiante. Entre os indicadores gerais, também deve-se mencionar a distribuição dos planetas por decanatos. O primeiro decanato corresponde ao plano físico do ser. Uma pessoa que tem muitos ou a maioria dos planetas nos primeiros decanatos está orientada principalmente para o lado material e físico da vida, não pensa na carma e carrega o fardo do passado. O segundo decanato corresponde ao plano mental. Mostra o modo de vida escolhido para a presente encarnação, a orientação da pessoa: seja para esquecer a carma, seja para corrigi-la e cumpri-la. O terceiro decanato corresponde ao plano astral, voltado para o futuro. Se houver muitos planetas nos terceiros decanatos, a obrigação cármica quase foi cumprida, a alma percorreu a parte dolorosa do caminho rumo à perfeição, e a libertação se aproxima.

Hereditariedade

Sempre têm significado cármico os planetas que se encontram em conjunção com a Cauda ou a Cabeça do Dragão, bem como aqueles que estão em ponto médio de outros planetas. No entanto, trata-se, por assim dizer, de uma “carma alheia”: a pessoa é obrigada a preencher o déficit de equilíbrio criado por outros. Na realidade, é claro, não se trata exatamente de uma “carma alheia”. Afinal, a carma é uma lei universal que abrange todas as pessoas e, provavelmente, todos os seres vivos que habitam ou já habitaram a Terra (ou talvez não apenas a Terra). Não é à toa que no Oriente dizem que o horóscopo deve ser feito para a família — assim como o tratamento deve ser para toda a família. Afinal, a família não é formada por acaso: o parceiro e os filhos muitas vezes chegam para restaurar o equilíbrio violado por outra pessoa. Essa relação é determinada pelo planeta que ocupa tal posição e até mesmo por meio de entrevistas, o que é importante. Geralmente, os pecados dos pais se manifestam na criança no plano físico (doenças), os problemas dos avós — no plano astral (psique), os dos bisavós — no plano mental. O parceiro é chamado a harmonizar as violações. Sobre quão importante é a escolha do parceiro, não é necessário lembrar. Daí também o fenômeno da “avó falecida” (ver também: Lazarev S.M. Diagnóstico da Carma. SPb., 1993, p. 17-18, 23, 94). O falecido, é claro, já não pode ser curado, mas seu influência pode ser removida. No entanto, isso já é mais tarefa de um astrólogo homeopata ou de um sensitivo do que de um astrólogo prático.

2. Mapa da encarnação atual

No mapa natal, também é preciso prestar atenção aos planetas Netuno e ao signo Escorpião. O planeta Netuno pode significar a última encarnação, se estiver na XII casa. Sua posição ali indica que a alma terminou a cadeia de reencarnações e não voltará a nascer na Terra após a morte física. A proximidade de Netuno da XII casa (sua posição nas casas VII-XI) também indica que a cadeia de encarnações terrenas está chegando ao fim. Netuno na I casa pode significar que esta encarnação é a primeira da pessoa, ou seja, uma “alma nova”. O signo Escorpião pode indicar a quantidade de encarnações anteriores. Um Escorpião vazio fala de uma “alma jovem”. Quanto mais planetas estiverem em Escorpião, mais antiga é considerada a alma, ou seja, mais encarnações ela teve. No entanto, a quantidade de planetas não coincide com a quantidade de encarnações, mas apenas estima aproximadamente a “idade” da alma. Pelo mapa natal, também é possível determinar aproximadamente o caráter da encarnação anterior relevante (significativa). O que isso significa? Na vida passada, a pessoa pode ter morrido na infância ou “nascido baobá”: tais encarnações não são relevantes para nós, pois sua influência na vida atual da pessoa é mínima. Os principais fatores que determinam a encarnação anterior significativa são: a Cauda do Dragão, a XII casa e os planetas retrógrados. Quanto mais planetas retrógrados uma pessoa tiver, mais erros a alma cometeu na encarnação anterior e mais terá que trabalhar para corrigi-los nesta. A ausência de planetas retrógrados fala de uma vida justa na encarnação anterior. A Cabeça do Dragão e a VIII casa dão uma ideia da próxima encarnação. Com o mesmo objetivo, usa-se também o cúspide da II casa, tomado como ascendente, que é inferior. A primeira impressão sobre a pessoa que constituiu a realização anterior é oferecida pela XII casa do mapa natal. Simplificando, pode-se dizer que, deslocando a grade de casas uma casa para trás e transformando a XII casa na primeira (a primeira casa se torna a segunda, a segunda na terceira, e assim por diante), obtemos um mapa aproximado da encarnação anterior. Da mesma forma, deslocando a cosmograma mais uma casa para trás, pode-se tentar vislumbrar a penúltima encarnação, e assim por diante. O deslocamento de uma casa para frente (a primeira casa se torna a segunda, a segunda a terceira, etc.) pode fornecer informações sobre a próxima encarnação. No entanto, deve-se lembrar que os mapas assim calculados são aproximados e não se prestam a uma interpretação direta. Ao calcular pelos signos solares e lunares, basta renumerar as casas da cosmograma natal; ao calcular pelo ascendente, deve-se tomar a cúspide da XII casa como a posição do ascendente, a cúspide da IX casa como a posição do meio do céu, e verificar nas tabelas de casas qual latitude corresponde a essa combinação do restante das casas, pois, naturalmente, não coincidirão com as casas da cosmograma natal. Isso pode ser verificado até certo ponto: sabe-se que uma pessoa deve visitar pelo menos uma vez os lugares onde passou sua vida passada ou, ao menos, sentir atração por eles. Calculando pela latitude (e, se possível, longitude) da encarnação anterior, pode-se perguntar se a pessoa já esteve naquela parte do globo, se estudou o idioma local ou tem algum outro vínculo com o local. Na maioria das vezes, isso se confirma. Além disso, a vida passada (XII casa) determina, até certo ponto, a primeira metade da vida atual da pessoa, quando ainda é difícil livrar-se dos hábitos e ações do passado. Somente aos trinta anos, após o término do primeiro ciclo de Saturno (29,5 anos), a personalidade original, sobrecarregada com o fardo das encarnações passadas, se dissolve e nasce a nova, verdadeira personalidade da verdadeira encarnação.

Em Moscou, na época, circulavam tabelas, segundo dizem, de um certo Carter, pelas quais os interessados podiam calcular

o tempo e o local de seu nascimento anterior, bem como quem eram naquela época e o que lhes é recomendado fazer na vida atual. O caráter da fusão anterior da tabela é descrito corretamente, e as recomendações também são boas; também está correto a indicação de se a pessoa era homem ou mulher. Porém, no que diz respeito ao tempo e ao local, não se pode confiar neles.
O significado dos planetas: o Sol indica apenas a vida real e não é marcado na cosmograma do nascimento anterior. A Lua aponta para o destino da pessoa na vida passada; muitas vezes é confundida com o Sol na cosmograma do nascimento anterior.
Das demais, na nova cosmograma, apenas os planetas retrógrados são levados em consideração. Os valores cármicos pertencem tanto aos planetas retrógrados quanto aos diretos na carta natal.
Júpiter traz alegria cósmica para a casa em que está posicionado e mostra em qual área a pessoa pode eliminar mais rapidamente o seu carma. Ele também indica o restabelecimento do equilíbrio — a compensação por privações na vida passada ou, ao contrário, o pagamento por excessos cometidos em encarnações anteriores.
Saturno mostra quais deveres foram cumpridos na vida passada e aponta para o elemento mais importante do carma que precisa ser corrigido primeiro. Trata-se de um carma antigo, transferido de vida para vida.
Urano com aspectos ruins ou retrógrado fala sobre erros da vida passada — traição a amigos, recusa de sacrificar-se por ideais elevados.
Netuno retrógrado, forte ou com aspectos exatos (tanto ruins quanto bons) fala sobre a astúcia da alma: tal pessoa viu a queda da Atlântida. Se não houver forte influência de Saturno no mapa, Netuno não libera do carma anterior, mas continua a desenvolvê-lo na mesma direção. Apenas na 11ª casa da carta natal ele fala sobre o término da cadeia de reencarnações.

Plutão na cosmograma natal é o elo que conecta uma vida à outra. Ele mostra o signo e a casa onde a pessoa luta sozinha nesta vida. Da mesma forma, suas posições são interpretadas na cosmograma da última encarnação em relação à penúltima, e assim por diante.
Os valores cármicos do Nodo Sul.
Nos signos:
Ketu em Áries: dependendo da casa e dos aspectos — foi um comandante, líder de bando, chefe de grupo. Tinha energia desenvolvida, iniciativa e força física. Destacava-se pelo individualismo extremo.
Ketu em Touro: Tinha tudo — poder, riqueza, família, que sofria com sua insaciabilidade. Dedicava forças ao acúmulo de bens materiais ou, talvez, transformava sua atividade em um fim em si mesmo, esquecendo-se do mundo espiritual. Durante toda a vida, temia perder até mesmo uma pequena parte do que havia acumulado.
Ketu em Gêmeos: Era disperso, espalhava-se por várias promessas, dava a mão e o coração a muitos ao mesmo tempo e, quando chegava o momento decisivo, recuava. Entendia bem as pessoas, mas não pensava na alma. Só no final da vida refletiu e compreendeu o que realmente precisava.
Ketu em Câncer: Nas vidas passadas e, possivelmente, em outras encarnações, permaneceu por muito tempo como uma criança, escondia-se atrás dos pais ou, em geral, dos mais velhos, recusando-se a iniciar uma luta independente contra os obstáculos. O homem escondia-se atrás da saia da esposa, e a mulher gostava de gastar dinheiro e permitia-se ser mimada.
Ketu em Leão: Na vida passada, só se relacionava com pessoas nobres, era voluntarioso e autoritário, usava as pessoas como peões. Era cercado por bajuladores e pedintes. Apoiava as artes, mas não entendia delas.
Ketu em Virgem: Na vida anterior — um brilhante executor, um eterno substituto, um subordinado. Gostava de ordem em tudo, mas não sabia e tinha medo de mostrar iniciativa. Era mais fiel à letra do que ao espírito das tarefas que cumpria.
Ketu em Libra: Na vida passada, agradava aos outros, queria ser querido, evitando tomar decisões independentes. No entanto, era uma pessoa artística, sutil, vulnerável e emocional.
Ketu em Escorpião: Destacava-se pela desonestidade e falta de escrúpulos em questões financeiras, provavelmente dedicando-se à usura. Talvez houvesse outros abusos, desvios sexuais, práticas de magia ou feitiçaria.
Ketu em Sagitário: Levava uma vida selvagem de viking ou beduíno. O problema da escolha nunca se apresentava para ele: agia apenas da maneira que lhe parecia correta. Os rumores sobre sua morte sempre se revelavam falsos.
Ketu em Capricórnio: Essa pessoa tem uma alma antiga. Em sua encarnação passada, foi um nobre magnata, governante, acostumado a dar ordens sem se importar muito com as necessidades de seus súditos.
Ketu em Aquário: Não gostava das pessoas, evitava-as, esforçava-se para não se apegar a ninguém — e não permitia que ninguém se apegasse a ele. Desprezava as convenções e raramente ajudava os outros.
Ketu em Peixes: Na encarnação passada — atividade religiosa, compaixão pelos sofredores, perseguições, sofrimentos. Talvez fosse um pária na família. Esteve na prisão ou passou muito tempo em hospitais. Tinha habilidades ocultas, podia curar doentes. Sonhava com um mundo ideal, mas duvidava da possibilidade de alcançá-lo e frequentemente caía em desespero.

Ketu na casa:
Ketu na 1ª casa: Individualismo extremo. Soldado, partisan. Desprezava o desprezo. Recusava-se a casar-se ou ter família. Nesta vida, terá amigos e parceiros de vidas passadas; precisa se livrar do estilo de vida espartano e acostumar-se ao conforto moderno.
Ketu na 2ª casa: Ciúmes, inveja, avareza. Na vida passada — amor ao ganho, acúmulo. Nesta vida, precisa aprender a ser generoso e magnânimo.
Ketu na 11ª casa: Na vida passada — eterno estudante, crítico, corajoso desajeitado, mas às vezes astuto até a desonestidade. Nesta vida, precisa livrar-se do complexo de superioridade e encorajar, não ridicularizar ou desmotivar os outros em seus empreendimentos.
Ketu na 4ª casa: Na vida anterior, desprezava as mãos que o alimentavam. Agora, ele mesmo deve curvar a espinha para sustentar os filhos (ou idosos), sem esperar gratidão.
Ketu na 5ª casa: No passado — príncipe, rei, inclinado ao narcisismo e ao uso das pessoas como ferramentas. Agora, precisa aprender a amar desinteressadamente, sem exigir recompensas ou elogios.
Ketu na 6ª casa: Na vida passada, trabalhava para os outros, acumulando com grande dificuldade qualquer riqueza, e morreu de trabalho excessivo. O amor pelo trabalho distingue sua realização atual; falta apenas iniciativa e independência. Mais confiança em si mesmo!

Кету na VII casa: No passado, foi executor, servo, passivo e dependente dos outros. Agora, terá de formar sua própria opinião sobre tudo e aprender a agir por conta própria e com coragem.

Кetu na VIII casa: No passado, ninguém o conhecia de verdade, nem mesmo pessoas próximas. Levou uma vida secreta, cheia de mistérios. Talvez tenha havido crimes, negócios escusos ou magia negra. Nesta vida, deve afastar as más lembranças e dedicar a alma à criação de alegria e bondade.

Кetu na IX casa: No passado, foi uma pessoa culta, erudita; o desejo por conhecimento se manifesta também nesta vida. Precisa de um ambiente amplo e livre para compartilhar seus saberes.

Кetu na X casa: Em vidas passadas, alcançou grandes alturas (chefe de clã, governante); nesta vida, deve descer sem se machucar. Antes, sacrificava a felicidade pessoal em prol de causas públicas; agora, deve fazer o contrário.

Кetu na XI casa: No passado, foi sonhador, visionário, reformador. Agora, é melhor fazer menos críticas e mais ações, buscando deixar mais marcas no mundo.

Кetu na XII casa: Vidas passadas foram cheias de sofrimento e dor. Agora, pode descansar e relaxar. Não é necessário compartilhar esses sentimentos e memórias — os outros não acreditarão. É melhor ajudar com ações do que com advertências vazias.

Valores cármicos dos signos inclusos:

Áries-Libra: No passado, foi fanático, convicto de sua causa e capaz de eliminar dissidentes.

Touro-Escorpião: Em vidas anteriores, usou dinheiro, religião e prazeres para seu próprio benefício.

Gêmeos-Sagitário: No passado, não quis estudar nem compartilhar seus conhecimentos com os outros.

Câncer-Capricórnio: Foi uma criança abandonada pelos pais ou perdeu filhos em circunstâncias trágicas.

Leão-Aquário: Não conseguiu se firmar na vida, manter filhos ou amigos. Na nova encarnação, a situação se repete.

Virgem-Peixes: No passado, foi médico, monge, servo do povo; sofreu muito.

3. Ligações com outras pessoas

Agora, é preciso recordar os laços cármicos da pessoa com outras — parceiros, parentes, amigos. Geralmente, considera-se que todos os planetas, sejam retrógrados ou diretos, que vêm depois da Lua (ou seja, cuja longitude é 0–180 graus maior que a da Lua) indicam pessoas com quem se encontrou em vidas passadas. Se, além disso, esses planetas fizerem aspectos com Plutão, essas figuras tiveram um papel importante no passado. O mais significativo pode ser o próprio Plutão, especialmente se estiver retrógrado e/ou na IV ou VIII casa.

Grande interesse desperta a comparação da cosmograma da pessoa com as de seus entes queridos: a coincidência de seus Sol, Lua, ascendente e outros pontos importantes com os planetas mencionados frequentemente indica essa ligação cármica.

A interpretação dos planetas é a seguinte:

Sol em conjunção com Mercúrio pode indicar um pai que, em vida passada, foi irmão de sangue ou primo.

Mercúrio em aspecto com Marte (dentro de 30 graus) — um amante de uma vida anterior.

Urano costuma representar um amigo reencarnado; Júpiter, a esposa; Vênus, uma esposa amada ou amante.

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