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Cabalística Astrologia :: Parte 3. – PLANETAS Parte 1

Авесалом Подводний Parte 3. PLANETAS Introdução Nas duas primeiras partes de “Cabala Astrologia” (livros “Corpos Sutis” e “Signos do Zodíaco”), o autor descreveu a estrutura geral do organismo oculto do homem como um conjunto de sete corpos sutis e doze canais zodiacais principais de comunicação. Essa estrutura de dezenove elementos é a mesma em todas as pessoas; as diferenças individuais e, propriamente, a astrologia cabalística começam com o estudo dos planetas, que simbolizam, no horóscopo, os princípios energéticos. A visão mais consistente (aceita, por exemplo, na filosofia indiana) é a de que a energia, em sua essência, é una, e aquilo que percebemos como diferentes princípios energéticos nada mais é do que distintas manifestações dela. Por outro lado, os planetas do horóscopo natal ocupam posições bem definidas (signos, casas), simbolizando, assim, a distribuição única dos tipos dessa energia universal, peculiar a cada pessoa e exclusiva dela; além disso, é impossível, ao longo desta vida, transformar completamente uma forma de energia em outra. Isso não equivale ao fatalismo: existem inúmeras possibilidades de elaboração dos princípios energéticos planetários, de sua sublimação parcial, transmutação etc., mas, ainda assim, quem nasce Áries morre como Áries, por mais que as circunstâncias externas e internas de sua vida se modifiquem. Eventos importantes, como mudança de emprego, casamento, mudança de país, alteração do nome ou dedicação religiosa, naturalmente, deixam marcas na vida futura, mas nenhum desses reveses se compara ao nascimento físico, que inaugura a missão; assim, todos os mapas de eventos significativos ao longo da vida devem ser vistos apenas como acentuações do horóscopo natal, jamais como eventos autônomos ou como início de uma nova existência.

Ao criar ou utilizar um sistema astrológico, o astrólogo deve estar ciente de sua completude ou incompletude no que diz respeito aos princípios energéticos apresentados, ou seja, deve compreender se, em conjunto, eles esgotam todas as possíveis formas de energia ou não. Em geral, sistemas astrológicos incompletos não têm menos valor declarativo (e de uso) do que os completos, e, nos últimos séculos, após a descoberta dos planetas trans-saturninos, os sistemas incompletos ganharam ampla difusão — o que se refletiu diretamente na expectativa do descobrimento astronômico de Vulcano, Prosérpina etc. — até que esses planetas, ainda não descobertos por telescópio e com órbitas não definidas, tenham seus respectivos princípios energéticos refletidos nos horóscopos, tornando-os, assim, energeticamente incompletos. O mesmo pode ser dito sobre asteroides, estrelas fixas e “planetas fictícios”: os nodos lunares e planetários, os Luas negras e brancas (apogeu e perigeu da órbita lunar) etc. — todos eles possuem algum significado astrológico, mas esse significado só é esclarecido dentro de um sistema astrológico específico, completo ou incompleto.

A questão das exigências para sistemas astrológicos incompletos é bastante complexa: é evidente que eles não podem ser criados de forma absolutamente arbitrária, assim como não se pode arbitrariamente adicionar ao conjunto de planetas, nodos, asteroides etc. objetos adicionais, mas esse tema foge ao escopo deste livro — em especial porque, neste caso, o autor apresenta e, na medida do possível, descreve justamente um sistema completo de princípios energéticos, correspondentes ao septenário dos planetas visíveis: são eles o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Assim, na astrologia cabalística, existem sete tipos básicos de energia, e qualquer vibração é criada por sua combinação. Esses tipos são fases sucessivas da evolução do princípio energético geral: o Sol corresponde à fase muladhara de sua evolução, a Lua à swadhisthana, Mercúrio à manipura, Vênus à anahata, Marte à vishuddha, Júpiter à ajna e Saturno à sahasrara. É claro que, nos horóscopos de uma pessoa, uma família, um Estado, uma organização ou um livro, essas fases se manifestam de maneiras distintas, e o autor dedicará alguma atenção às respectivas diferenças, mas o principal objeto de estudo será o mapa natal humano.

* * *

A contribuição específica da astrologia para o estudo da anatomia individual do organismo oculto também se revela no conceito de regência astrológica dos planetas. Cada um dos sete planetas rege um ou dois signos zodiacais: o Sol rege Leão, a Lua rege Câncer, Mercúrio rege Gêmeos e Virgem, Vênus rege Touro e Libra, Marte rege Áries e Escorpião, Júpiter rege Sagitário e Peixes, Saturno rege Capricórnio e Aquário. Essa regência, em um horóscopo específico, acrescenta doze canais diretos adicionais que conectam os diferentes corpos sutis. Por exemplo, se no mapa natal o Sol estiver em Gêmeos, então Leão, regido pelo Sol, sofrerá influência geminiana, o que pode ser imaginado assim: o canal de Gêmeos, que vai do corpo causal ao mental, possui um desvio que se conecta ao canal de Leão, e, assim, o corpo etérico sofre influência direta — sobre a saúde da pessoa, inclusive, e muito mais fortemente do que em outras pessoas, especialmente se o Sol estiver aflito. Por outro lado, a elaboração do princípio solar, do canal de Leão e o desenvolvimento do corpo etérico darão a essa pessoa uma habilidade esotérica absolutamente única para resolver seus problemas de negócios por meio de ginástica especial ou dieta, além da capacidade de alegrar-se e entristecer-se quase fisiologicamente com seus sucessos e fracassos (o autor, como astrólogo, não prescreve essa habilidade).

Se um planeta estiver em um signo que rege (por exemplo, o Sol em Leão ou Mercúrio em Gêmeos), não surge um canal adicional no organismo, mas o respectivo canal zodiacal adquire força especial, e a pessoa deve, portanto, dedicar atenção especial a ele.

Capítulo 1 SOL O Sol Fase muladhara da evolução do princípio energético Rege Leão Palavras-chave: escolha importante; sobreviver; realizar-se; acontecer.

“E disse Deus: Haja luz. E houve luz.” (Gênesis 1:3)

Na vida de cada pessoa, há um breve período em que o princípio solar age de modo inequívoco e com enorme força; infelizmente, a maioria das pessoas não se lembra dele, pois se refere aproximadamente ao primeiro ano de vida — é o momento da transição para a postura ereta, quando a criança, que rastejava rápida, ágil e eficientemente, obedecendo a uma força desconhecida, mas poderosa, levanta-se e, com dificuldade para manter o equilíbrio, dá os primeiros passos inseguros. Nesse processo, ela perde muito — estabilidade, velocidade, confiabilidade, manobrabilidade e controle de seus movimentos —, mas uma força irresistível, vinda do inconsciente, como que lhe diz: “é preciso” — e isso é a manifestação do princípio energético solar, ou, em outras palavras, da energia solar.

O princípio solar é ativado quando uma questão hamletiana se impõe diante da pessoa em toda a sua magnitude: “ser ou não ser” — não importa se essa dúvida se refere ao seu próprio ser, à vida de um ser vivo, à existência de um objeto inanimado ou simplesmente à execução de algum programa. Nesse momento, a energia solar é consumida independentemente da decisão tomada, ou seja, “não ser” exige tanto a ativação do Sol quanto “ser”, de modo que a energia solar desempenha um papel não menor na vida de um sabotador do que na de um montador construtor (mais precisamente, o Sol atua fortemente nos chefes deles, que enviam o primeiro para destruir uma ponte e o segundo para construí-la).Неemovê com o nascimento de uma criança; um carro sai da linha de montagem; um escritor elabora o enredo de um romance e escreve sua primeira página; após uma longa guerra, diplomatas assinam um acordo de paz entre os Estados; uma reunião familiar decide transferir uma criança para uma escola especializada; um chefe assina uma ordem para organizar um departamento — em todos esses casos, a energia solar se manifesta, sentida no momento do nascimento (da criança, do plano, da ordem), mas também durante algum tempo antes, na preparação para ele. Outro exemplo concreto de manifestação solar é o exame de admissão. Primeiro, durante a resposta, a energia solar é direcionada do candidato para a banca examinadora; depois, no momento da divulgação do resultado (e durante a espera ansiosa atrás da porta), ela flui na direção oposta, da banca para o candidato.

Uma variação peculiar do exame de admissão é a cena da proposta de casamento — inicialmente, o jovem apaixonado ajoelha-se e direciona um fluxo intenso de energia solar para sua amada; em seguida, aguarda, ansioso, por sua resposta — o quantum solar que decidirá seu destino pelos próximos anos, ou talvez para toda a vida. É claro que o destino, seja na educação ou no casamento, não se resolve apenas no momento em que a banca atribui uma nota cinco ao candidato ou quando a garota responde “sim, eu aceito”, pois, depois disso, ainda é necessário cursar a formação profissional no primeiro caso e trabalhar no segundo, e as possibilidades de fracasso podem surgir em qualquer etapa. Por exemplo, o princípio solar pode dar ao estudante várias notas dois, ou à mulher, já casada, a notícia de que seu marido tem uma amante e um filho com ela, dos quais ele cuida comovente.

O Sol se ativa quando se lança a fundação ou, ao contrário, quando os alicerces são destruídos — e na vida, uma coisa e outra muitas vezes ocorrem simultaneamente, embora nem sempre a pessoa consiga percebê-lo. As situações e circunstâncias solares são frequentemente vivenciadas como imperativas ou exigem a manifestação de iniciativa; na astrologia tradicional, o princípio solar às vezes é associado ao início criativo, mas o autor considera que isso, em princípio, é próprio de todas as formas de energia, e é incorreto reduzir a criatividade apenas às energias solares, mesmo que nelas ela se expresse com mais clareza do que nas lunares, mercurianas etc.

De fato, para superar estereótipos e ativar o potencial criativo, sempre é necessária certa energia que, em uma típica situação solar sob o lema “É preciso sobreviver!”, parece brotar de algum lugar — e a pessoa se surpreende consigo mesma: de onde veio tanta força, tanta inventividade e engenhosidade! No entanto, nem todo imperativo significa (na astrologia cabalística) a ativação do Sol, mas apenas aquele que leva à criação de um novo objeto ou ameaça a destruição de um já existente. Um exemplo característico de imperativo não-solar é a camisa-de-força aplicada a pessoas com surtos psicóticos: há o imperativo (limitações espaciais rígidas), mas não há ameaça de morte, nem mesmo por suicídio.

Enquanto os enfermeiros do hospital psiquiátrico tentam conter o louco na rua, surge nele uma típica situação solar: ele pode tentar fugir, matar um deles ou atirar em alguns transeuntes — em suma, inúmeras possibilidades de iniciativa e criatividade, impulsionadas pela intensa ativação do Sol. Da mesma forma, uma moça que flerta levemente com o marido e o provoca à distância desencadeia uma situação solar marcante, fazendo com que ele sinta que depende dele se o romance vai ou não acontecer e de que forma.

A arte do flerte negro-mágico consiste, em grande parte, em manter o relacionamento dentro dos limites da energia predominantemente solar o máximo de tempo possível, sem permitir que o pretendente se afaste nem tome uma decisão firme de agir de forma produtiva e ofensiva, como, por exemplo, reservar um jantar a dois em um salão privativo com sofá. Pois, assim que tal decisão é tomada, a continuidade do comportamento anterior por parte da mulher torna-se impossível, e ela também é obrigada a tomar uma decisão e colocá-la em prática — o que já ocorre em outras energias, como as lunares, venusianas ou marcianas.

Mas, seja qual for o desfecho da história — se a moça se torna noiva, amante terna ou companheira esportiva de seu cavalheiro —, a energia solar inicial, ligada à incerteza do futuro, à necessidade de escolha entre as opções e ao consequente descarte de todas as demais (a angústia emocional, brilhantemente descrita), desaparece por completo, dando lugar a outra, menos angustiante, embora muitas vezes menos empolgante — por exemplo, lunar (preocupações com o dote e a futura moradia), venusiana (socialização em um novo papel) ou saturnina (aumento da responsabilidade interna e externa, assunção de novos compromissos etc.).

Uma situação solar (ou seja, uma situação com ativação expressiva do princípio energético solar) não está necessariamente ligada à ameaça (própria ou alheia) de morte ou concepção; além disso, ela pode surgir exclusivamente no mundo interior da pessoa, por exemplo, quando ela está insatisfeita consigo mesma e decide eliminar certos maus hábitos ou, ao contrário, desenvolver talentos. Os sinais característicos da ativação solar serão, então, a agitação interior, uma insatisfação mal definida e mal formulada consigo mesmo, a sensação de necessidade de mudanças internas e a incerteza sobre como elas poderiam ser.

Descobrir o que, em mim, precisa morrer e o que, ao contrário, deve nascer, crescer e florescer em cores vibrantes pode ser breve e enérgico, mas na maioria das vezes é longo, tedioso e exaustivo, acompanhado por um coro sombrio de vozes de dúvida e insegurança em relação a si mesmo e ao mundo. Na verdade, ao ativar o Sol, o ser humano se torna um deus: criador ou destruidor do mundo, e o mundo não permanece indiferente a essa influência tão séria. Ao criar um futuro mundo, entram em conflito ativo suas diversas versões, que atacam a pessoa com uma autopromoção descarada, cujo conteúdo geral é mais ou menos assim: “Eu! Eu! Eu! Eu sou melhor!”. Os fragmentos de mundo destruídos, por sua vez, apelam desesperadamente (afinal, trata-se de uma ameaça à sua existência!) à piedade ou, ao contrário, ameaçam a pessoa; às vezes, esses recursos se alternam, por exemplo: “Não me toque, querido ser humano, poupe as pobres crianças órfãs, mas se ousar fazer isso, eu te pulverizo!”

Considerando que tudo isso ocorre no inconsciente e é percebido com grande dificuldade, pode-se entender a aversão geral da humanidade a situações de escolha (tanto externas quanto internas) e o desejo de reduzir ao máximo seu número e o leque de opções possíveis. É importante compreender que a intensidade das situações solares decorre desse tipo de luta interna que ocorre dentro da pessoa, e não apenas do sentimento de responsabilidade ou da antecipação de consequências desagradáveis decorrentes de uma escolha errada ou ineficaz.

Por outro lado, nem toda escolha está associada à ativação da energia solar, mas apenas aquela que, de alguma forma, está ligada à decisão sobre a preservação ou eliminação de determinado objeto, seja no mundo sutil ou no denso. Quando observo um potencial parceiro de negócios e decido se trabalharei com ele ou não, tanto em mim quanto nele o Sol está ativado; na situação em que a colaboração é decidida positivamente e os detalhes são trabalhados, outras planetas entram em cena.

O Sol é caracterizado por escolhas do tipo alternativo, ou seja, “ou um ou outro”, que excluem o “e um e outro”. Não se pode casar com dois pretendentes ao mesmo tempo, ou, digamos, comer e dormir simultaneamente — é preciso optar por uma coisa ou outra, ou por três, ou por mais, mas necessariamente por uma, e isso muitas vezes é doloroso; no entanto, às vezes revela-se uma bênção divina, embora nem sempre a pessoa perceba isso, e nas situações solares ela arranca os cabelos em desespero e peregrinação, pois qualquer uma das opções lhe parece mais do que suficiente.

Os conceitos-chave das situações solares são “liberdade de escolha”, ou “liberdade de ação”, bem como a liberdade de seguir ou superar estereótipos pessoais ou sociais — tudo isso em situações de criação de um novo objeto ou destruição de um já existente.Muitas vezes ouvimos a frase: “E o que eu poderia fazer para ajudar?” de uma pessoa que sinceramente acredita que nenhuma ajuda sua foi possível, pois não tinha dinheiro extra nem contatos necessários. No entanto, nunca se pode dizer que tudo o que podia ser feito foi feito, então a frase acima não passa de uma escolha negativa em uma situação de pedido de ajuda — expressa de forma clara ou indireta. Enquanto isso, no ensinamento de Buda, é dito claramente: “No mundo existem sete tipos de doações que uma pessoa pobre, sem posses, pode fazer. Primeiro, a doação física. É servir com o próprio trabalho, cuja forma mais elevada é o auto-sacrifício… Segundo, a doação espiritual. É uma atitude atenciosa e cuidadosa com os outros e com as coisas. Terceiro, a doação do olhar. É um olhar que acalma os que estão ao redor. Quarto, a doação do rosto sereno. É um sorriso constante e caloroso nos lábios. Quinto, a doação das palavras. São palavras de participação e atenção. Sexto, a doação do lugar. Significa ceder o próprio lugar aos outros. Sétimo, a doação da casa. Em sua casa, oferecer abrigo à noite para outros. Todas essas doações podem ser feitas por qualquer pessoa em sua vida cotidiana.” (Samyutta-nipata sutra)

Pode — se assim for a escolha. No entanto, para fazer essa escolha, é preciso estar em uma situação de decisão e senti-la como tal, o que muitas vezes é muito difícil por razões psicológicas e outras, que geralmente não são conscientes para a pessoa, mas criam uma enorme resistência subconsciente para o surgimento e a percepção da situação de escolha.

Quais são essas razões? A principal delas é que se colocar em uma situação de escolha geralmente significa desafiar o programa estereotipado (subconsciente e egregórico) que conduz a pessoa por essa situação. Esse programa e egregor exercem um controle muito específico sobre a pessoa, especialmente se a situação não é nova para ela e seu comportamento nela é padrão. Não se trata apenas de agir de forma diferente, mas até mesmo de questionar a possibilidade de tal mudança, pois isso significa sair do controle do estereótipo e ameaçar a existência de um programa subconsciente estável. A força da inércia sustenta a existência do mundo, protegendo-o do colapso em partículas isoladas, não relacionadas entre si, e dando a todos os seres vivos a capacidade de prever o futuro e se orientar no presente. A energia solar supera essa inércia, mas, quando aplicada de forma grosseira ou inadequada, destrói estruturas sutis, ainda que antiquadas, criando monstros em seu lugar. Por outro lado, seu uso puramente construtivo também é impossível, pois a criação de um novo mundo sempre ocorre, em certa medida, à custa da destruição do antigo. Nesse sentido, a oposição entre “evolucionistas” e “revolucionários” é metodologicamente incorreta: embora a revolução seja, de fato, uma evolução não preparada, por outro lado, a evolução nunca é devidamente preparada, e novas formas sempre surgem a partir dos destroços das antigas, com a energia de sua decadência, às vezes dolorosa. Assim como um gato não mata um rato capturado de imediato, mas primeiro “brinca” com ele, soltando-o e pegando-o novamente (as patas protestam contra o uso tão inadequado para marcar território).

Mas, deixando de lado predadores e carnívoros, até mesmo um vegetariano que come frutas e nozes destrói formas naturais perfeitas, sem mencionar que pisa na grama e contribui para o que é, em espírito, uma destruição total por vermes e microrganismos, constantemente e sem cessar. Não por acaso, Daniil Andreev, ao descrever em “A Rosa do Mundo” as principais tarefas para o alívio do carma terrestre — que incluem não apenas a transição da humanidade para o vegetarianismo e o enfraquecimento dos instintos predatórios dos grandes animais — hesita diante do problema ético do relacionamento com parasitas, deixando a questão em aberto.

Na tradição indiana, esse tema é discutido e resolvido no espírito panteísta, com o reconhecimento do ser humano como igual a qualquer outro ser vivo: por exemplo, entre os ascetas iogues, há o seguinte: um asceta deita nu sob o sol escaldante, coberto de insetos que sugam seu sangue — não tanto para dominar a carne, mas justamente para acalmá-la. No budismo, há uma lenda sobre um príncipe que se ofereceu voluntariamente para ser devorado por uma tigresa para alimentar seus filhotes famintos.

Seguindo esse princípio, seria necessário, de tempos em tempos, adoecer de sífilis ou AIDS para alegrar a pálida espiroqueta e outros protozoários, mas o autor ainda assim tende a ver nessas interpretações uma forte distorção da ideia que as gerou.

O tema dos parasitas está diretamente relacionado à energia solar, pois sua aparição e prosperidade em algum momento colocam diante de um ser vivo ou sistema a questão da sobrevivência alternativa: eu ou eles, ou seja, a problemática solar em sua forma pura. No entanto, o autor tenta construir um modelo de equilíbrio dinâmico, e não antagônico, da existência humana (e de outros sistemas), no qual os parasitas não atuam como inimigos, mas como certo tipo de estabilizadores do equilíbrio do organismo em seus fortes desequilíbrios e mudanças bruscas, e quanto mais grave a violação do equilíbrio, menos eficazes eles são. Apenas aqueles que, ocasionalmente, restauram o equilíbrio perdido (ou melhor, seu nível) realmente ajudam, e é com isso que sua ação está verdadeiramente relacionada.

O tema dos parasitas corporais é discutido no livro “Corpos sutis”; seu surgimento muitas vezes é condicionado pelo desequilíbrio entre os corpos sutis uns em relação aos outros. No entanto, além disso, existem também parasitas cujo habitat são os fluxos energéticos, em particular os zodiacais — sobre eles, o autor menciona brevemente nos “Sinais do Zodíaco” cabalísticos. Neste livro, são discutidos parasitas específicos das energias planetárias e sua influência nos canais zodiacais daqueles signos em que os planetas estão posicionados.

Por exemplo, certos parasitas no canal de Áries estarão presentes em qualquer pessoa, mas se o Sol estiver em Áries, pode-se supor com grande probabilidade a presença de parasitas arianos de um tipo bastante específico e, pelo menos, diagnosticar uma grande predisposição a eles, especialmente se o Sol estiver fortemente posicionado. É claro que o caráter dos parasitas depende dos aspectos do Sol (em aspectos harmônicos, eles são diferentes dos tensos) e, em maior medida, de sua posição no signo — digamos, os parasitas específicos do Sol em Áries são completamente diferentes daqueles que aparecem quando o Sol está em Virgem ou Sagitário. No entanto, eles também têm algumas características comuns, determinadas pela especificidade da energia solar.

De acordo com as duas funções principais do Sol — a escolha dos caminhos de destruição do velho mundo e as várias opções de criação de um novo — é possível dividir os parasitas solares em duas categorias: destrutivos e criativos. Do ponto de vista humano, a ação dos primeiros consiste em reduzir o nível e a qualidade da destruição, enquanto os segundos impõem uma certa espécie de benefício e distorção ao mundo recém-criado; do ponto de vista deles próprios, os parasitas simplesmente vivem em simbiose com o ser humano, ou seja, coexistem com ele em energias comuns e em condições mutuamente benéficas.

A concretização posterior de seus tipos e comportamentos pode ser encontrada abaixo, nas descrições de diferentes tipos de aspectos do Sol; aqui, o autor se limitará a alguns exemplos característicos, descrevendo em forma antropomórfica os papéis nos quais os parasitas solares mais frequentemente atuam.

O Destruidor de Gigantes é um parasita solar típico do tipo destrutivo. Suas atividades favoritas incluem críticas destrutivas e consertar a televisão com um martelo. Ele se dispõe a destruir qualquer coisa e, assim, pode prejudicar muito seu hospedeiro — por exemplo, começa a criticar inesperadamente a chefia ou faz comentários negativos sobre minorias sexuais em sociedade educada. Sabe-se que os resultados precisam ser resolvidos pela própria pessoa, pois, após fazer seu “trabalho” e murmurar: “Que herói eu sou!”, o Destruidor, como regra, desaparece rapidamente de vista — aparentemente, por falsa modéstia.

O Não-Violento é um parasita solar destrutivo, em certo sentido, oposto ao Destruidor.Em situações em que é perfeitamente óbvio que alguma parte do mundo exterior ou interior está condenada à destruição, pois já está morta e apenas envenena o ambiente com sua podridão, o Não-Violento tenta, de todas as formas, convencer a pessoa de que ainda não tudo está perdido, que ela ainda viverá, se corrigirá, se reeducará e, no geral, muito pode ser salvo. São usados argumentos budistas e cristãos (como não causar mal, a humildade em geral e a humildade em particular), suposições sobre a possível utilidade do objeto que está sendo eliminado, medo de represálias por parte de seus parentes, a necessidade de gradualismo em tudo, apelos ao humanismo, apelos à nobreza, sentimentos de piedade e indulgência, entre outros. Quando as consequências destrutivas e venenosas da não destruição do objeto se tornam evidentes, o Não-Violento rapidamente se afasta, murmurando: “Quem poderia saber que daria nisso… afinal, eu queria o melhor… ou talvez você não tenha feito direito e ainda dava para consertar?”

As duas figuras seguintes representam os parasitas solares que criam. O Fanfarrão-Entusiasta está pronto a qualquer momento para se lançar em qualquer tarefa, desde que sejam muitas e a responsabilidade por cada uma seja mínima. Seu lema: “É melhor falhar em dez tarefas do que terminá-las.” Por isso, quando surge a necessidade de uma pessoa criar um objeto (exterior ou interior) que realmente lhe seja necessário, o Fanfarrão-Entusiasta fará de tudo para que seu dono se ocupe de outra coisa e a criação do objeto necessário seja interrompida — seja imediatamente ou um pouco mais tarde. Em resposta às (raras) reclamações do dono, o Fanfarrão costuma dizer: “Só com a sabedoria do retrospecto é que as coisas ficam claras — quem poderia saber como as coisas iam se desenrolar? Mas, pelo menos, fizemos tudo o que podíamos e não temos do que nos arrepender.”

O Pessimista (que pode ser de dois tipos: Firme e o que Duvida), ao contrário, não acredita no sucesso de nenhum empreendimento. Enquanto o Pessimista Firme está absolutamente convencido de que qualquer tarefa fracassará, aquele que Duvida admite que existem possibilidades promissoras de criar uma nova realidade, mas direciona todas as suas forças para minar qualquer escolha concreta: assim que a pessoa se decide por uma delas, aquele que Duvida destrói toda a sua fé em si mesma, convencendo-a de que, definitivamente, aquele caminho não levará a lugar algum. Se a pessoa, ainda assim, tomar alguma decisão e realizar uma escolha, e no caminho de criar uma nova realidade surgirem dificuldades, obstáculos ou incertezas, o Pessimista Firme se expressará assim: “Viu? Eu já dizia que não dava para fazer assim — e a vida confirma completamente minhas palavras — e as coisas só vão piorar!”

Aquele que Duvida multiplicará e triplicará suas dúvidas e medos: “Eu não te avisei em vão que não era bom ir por aí… Talvez a gente devesse parar e procurar outras possibilidades, senão a gente pode se meter em uma grande encrenca… Não deu certo, pode ter certeza disso!”

***

Neste livro, além do horóscopo de uma pessoa, é discutida a interpretação dos planetas nos horóscopos de uniões de casais, famílias, Estados, empresas (organizações, empreendimentos) e livros. Nesse contexto, o autor lembra que o momento de seu nascimento é considerado (veja também “Corpos sutis”, Introdução). A união de casal nasce na primeira reunião pessoal dos parceiros, quando eles se olham pela primeira vez (ou, pelo menos, tomam consciência da presença mútua, pois há pessoas que evitam o contato visual). Às vezes, esse encontro pessoal é precedido por um longo período de conhecimento à distância: relatos de conhecidos em comum, conversas por telefone, correspondências, etc., mas isso seria, por assim dizer, o período pré-natal, e o nascimento da união de casal ocorre no momento do início do primeiro encontro pessoal.

A família, como unidade social, nasce no momento do registro do casamento pelo instituto social autorizado pela sociedade — pode ser uma cerimônia religiosa, registro em cartório (como o ZAGS), etc. Em todos esses procedimentos, existe um momento em que a pessoa que conduz a cerimônia pronuncia palavras de congratulação ou anuncia oficialmente o novo status dos noivos — esse é o momento do nascimento de uma nova família. No entanto, há casos mais complexos em que o casal começa a vida em comum sem nenhuma cerimônia oficial, simplesmente passando a morar juntos; nesses casos, o égrégor social não considera sua união como familiar por muito tempo, e o horóscopo traçado no momento do início da vida em comum só se tornará o horóscopo da família após alguns anos ou com o nascimento de filhos.

Se, após certo número de anos (ou até décadas, quando os filhos já estão crescidos e os netos apareceram), o casal finalmente registrar o casamento, esse será o momento que deve ser considerado o nascimento da família aos olhos da sociedade, e o respectivo horóscopo mostrará seu destino social: tanto o passado quanto o futuro, enquanto o horóscopo do início da vida em comum revelará o desenvolvimento da família como um microcosmo.

Se na família houver uma data considerada como a de sua origem, e especialmente se os respectivos aniversários são comemorados solenemente, o astrólogo pode tranquilamente se basear nessa data: ele extrairá as informações principais do respectivo horóscopo corretamente. O mesmo se aplica, aliás, às pessoas que não têm certeza sobre a data de seu nascimento: nesse caso, elas vivem em grande parte no ritmo do horóscopo traçado com base na data de nascimento registrada nos documentos oficiais.

O nascimento de um novo Estado pressupõe uma mudança real no sistema político, que às vezes é óbvia para os contemporâneos e outras vezes não, e a conscientização disso ocorre após algum tempo. No entanto, se ocorrer uma verdadeira revolução, e não um golpe palaciano, e o égrégor estatal mudar qualitativamente, simbolizando o início de uma nova fase de desenvolvimento étnico, geralmente surge naturalmente e é marcado como um momento social, temporal e geográfico da vitória do novo regime sobre o antigo, que mais tarde é formalizado como feriado nacional. Geralmente, após isso, ocorre a mudança do nome do Estado ou a adição de um epíteto ao nome antigo, além da alteração do brasão e da bandeira.

O nascimento de uma empresa (empreendimento, organização) ocorre no momento da assinatura do documento que a torna uma pessoa jurídica, com nome, endereço e certos direitos e obrigações, que incluem o direito de contratar funcionários e a obrigação de pagar impostos. Também é possível usar outros horóscopos — por exemplo, o início do primeiro dia de trabalho da empresa ou até mesmo a data tradicionalmente considerada como o dia de seu nascimento. Em caso de mudança de nome (“placa”), mesmo que seja apenas formal, o respectivo horóscopo passa a vigorar, mas assim raramente é possível corrigir seriamente os rumos dos negócios. Em qualquer caso, quanto mais preciso for o momento escolhido para marcar o nascimento da empresa — de preferência com um ritual especial, como o corte da fita na inauguração de um museu —, mais claro será o ritmo de seus eventos e mais evidente sua missão, não apenas para o astrólogo, mas também para seus líderes e funcionários.

O nascimento de organizações informais e não comerciais pode ser datado pelo dia de sua primeira reunião — mais precisamente, pelo momento em que a opinião pública aceita seu nome (e seu estatuto, se houver).

A transição suave de uma forma de associação profissional ou não profissional para outra, característica da era de Peixes, será substituída, na era de Aquário, por um processo discreto, ou seja, por saltos. Nesse caso, a transformação para uma nova forma geralmente será precedida por uma dissolução, mas não tão dolorosa e patológica como na era anterior, e os momentos de dissolução serão recebidos com alegria e alívio pelos astrólogos.

O horóscopo de um livro é traçado no momento em que seu autor começa a escrevê-lo — quando, após longas reflexões sobre a obra futura em sua imaginação, em um belo dia ele se senta à mesa, põe diante de si uma pilha de folhas em branco e, com mão firme ou trêmula, escreve a primeira frase do futuro romance: “Eu me aproximava do local de meu destino…”

***

Agora, consideremos a união de casal, a família, o Estado, a empresa e o livro. É claro que esses temas merecem uma análise detalhada, mas o autor apenas os aborda brevemente. No horóscopo de uma união de casal, o Sol mostrará o caráter das situações que o égrégor da união considerará vitais — seja para seus próprios programas, seja para eventos e circunstâncias que a afetem diretamente.Tema da existência (e vida) do par pode ser chamada de palavra “nós”, e esse “nós” se realiza de várias maneiras — às vezes, por exemplo, por meio de um dos parceiros, que assume toda a responsabilidade pelos programas do par, enquanto o segundo dissolve completamente sua vontade e personalidade no primeiro — uma união do tipo “comandante-escravo” ou “senhor-pessoa” (senhor-servo). A energia solar na vida do par é ativada quando surge a questão: “Devemos continuar juntos ou não?” ou, de forma menos rígida: “Como podemos harmonizar nossas ações e percepções?”. Nesse contexto, o Sol em Touro confere uma agudeza especial aos problemas de harmonização do comportamento concreto, enquanto o Sol em Virgem — aos contatos físicos entre si e com o mundo material, por exemplo, a sobrevivência da união pode esbarrar na escolha do modo de secar a louça: enxugá-la com um pano e guardá-la imediatamente no armário ou deixá-la secar na escorredor? Um Sol mal trabalhado, especialmente quando afetado, cria com frequência situações em que os parceiros não apenas se sentem mal — eles sequer compreendem por que precisam um do outro ou de alguém mais (por exemplo, do Absoluto), e a harmonização mútua parece impossível, enquanto as barreiras criadas pelo outro são mais do que evidentes — por exemplo, ciúmes em relação a pessoas e programas de ação.

O ciúme, como desejo de restringir certos programas do parceiro, baseia-se amplamente na energia solar, mas nela também se fundamenta o tema oposto — a expansão do espectro de programas conjuntos de ação e percepção, e para esse desejo ou impulso volitivo não há palavra adequada, embora o par o vivencie com igual intensidade. A necessidade aguda de que o parceiro me compreenda e compartilhe minhas paixões, participando de meus afazeres, frequentemente manifesta a vontade do egregor do par, e se, nesse caso, o parceiro não me atende, mas tranquilamente consome meu entusiasmo sem contribuir em nada, ele não apenas desperta em mim desespero, raiva ou depressão, como também destrói o egregor do par ou, se este for forte, o obriga a recorrer a métodos mais grosseiros de realização de seus programas — e o vínculo com o parceiro se deteriora, tornando-se mais rígido e primitivo.

A precisão, delicadeza e ternura nos relacionamentos surgem na medida em que o egregor do par se refina, e para isso é necessário permitir que ele realize seus programas principais, vitais para si. Se, na luta pela sobrevivência, ele precisa desenvolver uma carapaça grossa, escamas resistentes, garras afiadas e dentes fortes, então o relacionamento passa a ser de vida ou morte, e não há espaço para sentimentalismos ou sequer pena um do outro.

No mapa da família, o Sol indicará as situações de tomada de decisões vitais para ela — ou de recusa categórica a fazê-lo. A concepção de filhos, a obtenção de dinheiro para moradia e sustento, a mudança de residência, a garantia de segurança em casos de ameaça direta à vida dos membros da família (por exemplo, doenças graves) — todos esses programas são aceitos, rejeitados ou parcialmente realizados pela energia solar da família, mas de maneiras distintas, dependendo da posição do Sol no mapa familiar. Por exemplo, o Sol em Áries confere à família a característica de abordar tais questões em um nível principiológico, às vezes até religioso-filosófico, tornando relevante a especificação dos vínculos entre a missão da família e seus valores, e problemas semelhantes também surgem entre seus membros; já o Sol em Libra no mapa da família significa a manifestação de seus problemas e escolhas vitais no material do fluxo ascendente do corpo físico da família para o éter: agravam-se as questões de alimentação, saúde e tratamento de doenças, da organização adequada da moradia, dos relacionamentos sexuais entre cônjuges e dos contatos físicos entre eles e os filhos. Isso não significa que a primeira família seja mais espiritual e moral do que a segunda (pode ser exatamente o contrário), mas, de todo modo, as decisões sérias na primeira família devem ser tomadas somente após a correção e harmonização das posições e ideais de vida de seus membros, enquanto na segunda — após uma faxina geral no apartamento, o que (essa faxina) terá um efeito muito benéfico.

Cada novo filho que nasce modifica qualitativamente a energia solar da família, impondo-lhe certo fardo e, ao mesmo tempo, oferecendo-lhe um canal adicional — a vida da família após o nascimento do bebê frequentemente muda drasticamente e passa a seguir novos ritmos e estruturas. Contudo, trata-se de uma inclusão passiva; a conexão ativa do canal solar da criança com a energia solar da família ocorre quando ela assume parte da responsabilidade pelos programas familiares vitais — por exemplo, quando lhe é confiada a supervisão do irmão ou irmã mais novo ou a socialização independente no ambiente escolar.

A distribuição de responsabilidades pelos programas familiares de ordem prática, educacional e social quase sempre ocorre pela energia solar do egregor familiar, e encerrá-los a tempo é tão importante quanto escolher corretamente os novos: uma despedida prolongada às vezes envenena os relacionamentos a ponto de ser melhor dissolvê-los por completo, mas para isso é necessária justamente a energia solar — para superar a falsa piedade e a nostalgia impotente pelo passado que já se foi para sempre.

No mapa do Estado, o Sol simboliza os programas que garantem sua sobrevivência, criam uma nova realidade qualitativa ou destroem a antiga. Trata-se do exército e seu armamento, da proteção das fronteiras, do fornecimento à população do mínimo de alimentos, moradia e energia, do controle sobre zonas ambientalmente perigosas; também pertencem a esse âmbito a proteção dos cidadãos e seus interesses pessoais e econômicos fundamentais, ou seja, a atuação da polícia e do sistema judiciário, prisões, colônias penais etc. Ao proteger-se de inimigos externos e internos perigosos, o Estado, como entidade solar, passa a estabelecer para si tarefas distintas da mera sobrevivência, embora ainda vitais. Quais são essas tarefas e problemas depende das condições concretas, mas o modo como o governo e o povo as estruturam e compreendem será revelado em grande parte pelo signo solar e pelos aspectos do Sol. Por exemplo, o Sol em Aquário confere a tendência de abordar e resolver as questões estatais mais importantes de modo “científico”, após um estudo sério da situação vigente e conclusões teoricamente fundamentadas, enquanto o Sol em Escorpião enfatiza as emoções, o entusiasmo ardente de origem biológico-profunda, e se em alguma questão esse entusiasmo não estiver presente, dificilmente ela adquirirá importância e ressonância estatal.

Todos os temas que, de uma forma ou de outra, dizem respeito à distribuição de responsabilidades pela sorte do povo entre o poder estatal e as massas populares, a administração e a intelectualidade etc., estão diretamente ligados ao problema do uso da energia solar do Estado: como ela deve ser e como não deve, quem é culpado, o que fazer e como olhar para a situação. A posição do Sol no mapa de uma empresa indicará a natureza e os meios de superação de crises graves e pontos de virada em seu desenvolvimento. Não apenas questões de sobrevivência, mas qualquer mudança significativa no modo de existência da empresa e nos tipos de interação com o ambiente externo significam a ativação da energia solar e o crescimento da responsabilidade pela escolha. A obtenção de encomendas, a luta contra concorrentes, o sucesso da publicidade, o comportamento correto dos funcionários e parceiros comerciais, a interação conflituosa ou harmoniosa entre os próprios funcionários — todos esses problemas adquirem um matiz solar assim que se tornam tão sérios que seu sucesso ou fracasso prometem mudanças radicais na existência da empresa. Para o signo solar, por exemplo, com o Sol em Gêmeos, os prenúncios de futuros problemas graves podem ser a doença da secretária, divergências de opinião entre os funcionários sobre o significado de um evento ou outro na vida da empresa, ou simplesmente um aumento repentino no número de fofocas e conversas vazias. Como prevenção a crises graves, recomenda-se aqui melhorar a informação dos funcionários sobre os assuntos correntes da empresa, relatórios regulares dos chefes aos subordinados, ênfase em diversos tipos de contatos informais entre os funcionários (“churrascos”, piqueniques, competições esportivas etc.), além de aumentar o interesse dos funcionários por seu próprio modelo.

O Sol também abrange a contratação e demissão de funcionários, e, a partir da eficiência com que esses processos ocorrem, é possível traçar conclusões sobre o caráter, o nível de desenvolvimento e as particularidades do princípio solar da empresa. Se, ao ser contratado, você presencia a demissão escandalosa de um funcionário indesejado, é improvável que sua atividade na empresa seja tranquila e despreocupada. No mapa da obra, o Sol revelará o caráter das andanças do herói e as reviravoltas acentuadas do enredo principal ou, em caso de definição, os meios expressivos que o escritor utilizará em sua narrativa. As situações solares são, antes de tudo, aquelas que ameaçam seriamente a vida ou o modo de vida do herói, exigem dele uma escolha e, com maior frequência, um sacrifício. A polarização tipicamente solar é a da decisão-indecisão: um Sol forte geralmente é atribuído ao herói positivo e ao vilão, enquanto um Sol fraco cabe a vários tolos. Se o Sol da obra estiver em Peixes, em situações difíceis e às vésperas de mudanças radicais, o herói beberá muito, buscando a verdade no fundo do copo, seja no álcool ou, na melhor das hipóteses, na penitência religiosa, ao que sua esposa ou namorada (claro, ilegal) — humilde portadora da ideia da Eterna Feminilidade na concepção do autor, transposta para a visão de mundo do herói — assistirá comovida.

Se, por outro lado, o Sol da obra estiver em Capricórnio, antes de prosseguir com a narrativa, o autor prepara o terreno — por muito tempo, às vezes por um período que parece interminável ao leitor, que aguarda ansioso por algo importante que nunca chega.

* * *

As vibrações de cada planeta podem ser distintas, e, dependendo da altura dos harmônicos nelas contidos, é possível distinguir sete níveis principais, também designados abaixo como planetas do septenário. O nível indica a forma de estruturação da situação — neste capítulo, a solar. Assim, os níveis solares, em ordem crescente:

  • Sol — O Sol Primitivo, o guerreiro combate o urso das cavernas.
  • Sol-Sol — O primeiro guerreiro escolhe entre preservar o passado ou optar por um dos futuros possíveis. A questão se resume a “viver ou morrer”, e não há terceira opção. As escolhas solares-sóis são sempre muito rígidas e, geralmente, não há como evitá-las; assim, com o Sol em Virgem, na energia solar-solar, um cirurgião decide pela amputação de um membro doente (escolha do tipo “curar-cortar”), e com o Sol em Libra, um malabarista e acrobata mantêm ou perdem o equilíbrio.
  • Solar-solar alternativas de Áries, por exemplo, a escolha religiosa

фанаático, enquanto o peixe é um fatalismo total ou um voluntarismo ateísta (na maioria das vezes, esses dois andam de mãos dadas, o que não incomoda nem um pouco as pessoas). No egregor duplo solar-solar, a situação pode se manifestar quando uma senhora põe o cavalheiro diante de uma escolha: “Ou você se casa comigo, ou suma daqui enquanto ainda está inteiro!” No egregor familiar, as energias solar-solar acompanham doenças graves dos membros da família, nascimentos de filhos, a partida do pai ou do filho para a guerra e o retorno deles. Na vida do Estado, as vibrações solar-solar acompanham guerras pesadas, caos, devastação, conflitos sangrentos, a perda da memória do povo sobre seus ancestrais ou, ao contrário, a resistência a qualquer progresso e o afastamento de tradições ultrapassadas, levando à beira do desastre. Uma situação solar-solar no livro é uma grande desgraça (como, por exemplo, o início de muitos contos de fadas). O Sol — a Lua, a Mãe, cuida do filho ferido na batalha. Esse nível energético é característico de situações em que a sobrevivência do velho ou o nascimento do novo objeto depende do apoio adequado à sua existência, e a escolha está em qual forma esse apoio será dado — embora nenhum dos dois ofereça garantia total de sobrevivência.

A energia solar-lunar, com o Sol em Virgem, é necessária para uma enfermeira ao cuidar de um paciente logo após uma cirurgia (o primeiro curativo), e com o Sol em Libra — por exemplo, ao realizar respiração artificial em alguém salvo na água. Uma situação solar-lunar com o Sol em Touro pode se manifestar como uma escolha dolorosa alternativa para o objeto de cuidado: aquele que receber menos atenção morrerá ou desaparecerá do horizonte da pessoa.

Na vida de uma empresa, uma situação solar-lunar surge, por exemplo, quando o fluxo de pedidos diminui e, queira ou não, é preciso escolher uma entre várias opções (de formas diferentes) não muito vantajosas e que exigem cuidados especiais para serem executadas. Na versão positiva, uma empresa que opera com energias solar-lunares pode se dedicar ao apoio, resgate e primeiros socorros: bombeiros, reanimação, limpeza de consequências de terremotos, etc. Muitas uniões duplas existem com base na energia solar-lunar, vivendo segundo o roteiro salvador-vítima; nesse caso, a posição do Sol no mapa de união do par indicará os métodos característicos de “salvamento” adotados pelos parceiros. Por exemplo, com o Sol em Gêmeos, o pathos do “salvamento” recairá sobre explicações racionais e persuasão, e com o Sol em Sagitário, ele estará em um apoio emocionalmente colorido.

Sol — Mercúrio
A dona de casa faz uma faxina geral. Nesse nível, o tema da sobrevivência (ou destruição) é resolvido por meio de organização e estruturação. Na vida de um povo, esse papel é desempenhado pelo Estado, protegendo o povo de suas próprias tendências caóticas e vampíricas; na economia, a divisão do trabalho, que acompanhou a transição do feudalismo para o capitalismo, cumpriu o papel solar- mercuriano. A falta de energia solar- mercuriana na vida de uma empresa leva ao colapso da disciplina de trabalho: alguns funcionários se esgotam, outros não sabem o que fazer, os departamentos trabalham de forma desordenada, reuniões são marcadas e canceladas ou não fornecem a coordenação necessária, etc.

No mapa individual, com o Sol em Câncer, a situação solar- mercuriana pode ser vivida como uma sobrecarga emocional insuportável, uma tempestade de sentimentos incompatíveis desencadeada por algum evento (ou melhor, pela forma como ele é compreendido). Então a pessoa sente que precisa organizar e pôr ordem em suas emoções, separando, digamos, o positivo do negativo, ou de forma mais detalhada: minha indignação é provocada pelo seu sorriso zombeteiro, a irritação — pela maneira absurda de se mover no espaço, a raiva — não, a raiva — tudo junto.

Sol — Vênus
O diretor da empresa cumprimenta os funcionários pelo Ano Novo. Quando uma mulher diz ao homem: “Eu morro sem o seu amor”, nem sempre é exagero: é bem possível que ela esteja faltando com a energia solar-vênus, tão vital quanto a solar-lunar ou a solar-solar. Na família, a energia solar-vênus é sentida como calor espiritual, uma luz inexplicável que transforma toda a ordem doméstica, mudando-a de abandonada por Deus para reconhecida por Ele — em situações em que outras energias, como a solar- mercuriana, já não conseguem salvá-la da destruição.

A falta de energia solar-vênus é sentida de forma ainda mais aguda do que na família, especialmente em uma empresa cujo comando enfatiza vibrações solar- mercurianas: horários rígidos, distribuição clara de tarefas, relatórios regulares, inspeções de controle, etc. Tudo isso ajuda por um tempo, mas chega um momento em que apertar os parafusos não dá resultado (ou dá um resultado negativo), e os problemas precisam ser resolvidos de alguma forma — e, queira ou não, a direção começa a sorrir, forçando um rosto de pedra a se abrir e tentando demonstrar compreensão pelas necessidades da equipe e disposição para atendê-las.

A escolha solar-vênus consiste no seguinte: sobreviverá aquela parte do mundo que eu iluminar com a porção de amor divino que me foi dado, enquanto a parte que não receber essa luz murchará, seja de imediato ou gradualmente. Essa escolha é constantemente feita pela pessoa tanto em relação ao mundo externo quanto ao interno, e é importante entender que a energia solar-vênus não pode ser substituída por nenhuma outra — nem pela solar-lunar, nem pela solar- mercuriana.

Sol — Marte
Ivan, o tolo, ordena que a casinha se vire de costas para a floresta e de frente para ele. — Eu te amo tanto! Isso não é suficiente? Infelizmente, embora o amor seja um grande valor, muitas vezes ele sozinho não basta: as vibrações solar-vênus são fundamentalmente instáveis e só se formam no nível seguinte, o de Marte, onde o amor encontra sua expressão em formas concretas.

Na vida familiar, é muito claro o campo em que há energia solar-vênus suficiente, mas falta a solar-marteana: há amor, mas ele é amorfo, desordenado, dissipando-se em grande parte no espaço circundante. Por exemplo, em caso de doença perigosa para a vida da criança, na maioria das mães é ativado o fluxo biológico solar-vênus, que tem algum efeito curativo, mas a habilidade de concentrá-lo corretamente e direcioná-lo para um órgão ou sistema importante, ou seja, a transição para o nível solar-marteano, é dada ou pelo dom inato de curandeiro ou por treinamento especial.

Em geral, as palavras-chave características do nível de Marte são: ofício, técnica, tecnologia — no melhor sentido dessas palavras. A escolha solar-marteana soa assim: sobreviverá e será escolhida aquela parte do mundo que receber minha energia na forma de esforços adequadamente expressos, fundamentados no amor divino. Por exemplo, com o Sol em Gêmeos, o nível solar-marteano pode revelar um talentoso jornalista-repórter capaz de transmitir em poucas palavras a dor e o sofrimento alheios — seja de pessoas em desintegração, famílias se dissolvendo ou estruturas estatais ruindo — e, ao contrário, a alegria de criar um novo mundo.

Sol — Júpiter
A fada provê Cinderela de tudo o que é necessário para a viagem ao palácio do príncipe. Ao criar um novo objeto ou toda uma realidade (que, do ponto de vista holográfico, é a mesma coisa), é preciso cuidar dela de forma abrangente, ou seja, garantir tudo o necessário para sua criação e existência. O mesmo se aplica à destruição: se quiser pegar o lobo, é preciso cortar todas as suas rotas de fuga.

O nível jupiteriano de vibrações, que significa plenitude, é bastante sutil e, por isso, difícil de perceber e entender; por isso, muitas vezes é substituído pelo conceito de multiplicidade. No entanto, Júpiter não significa “muitos”, mas “suficiente”; como nível solar, é suficiente para a sobrevivência, a criação do novo ou a destruição do velho.

Exemplo típico — situação final de teste para o herói de um conto, quando ele já conquistou certo número de ajudantes mágicos (leia-se: dominou diferentes tipos de habilidades no nível Sol-Marte) e agora se verifica se, em conjunto, eles são capazes de salvá-lo da morte e cumprir a missão assumida: uma situação solar-jupiteriana para a família é, por exemplo, a ascensão a um patamar social superior, que transforma por completo todas as esferas de sua vida (ou a queda a um patamar anterior, quando os membros da família têm a sensação de perder tudo). A falta de energia solar-jupiteriana em uma empresa pode significar sua incapacidade de promover mudanças totais, de transitar para um nível qualitativamente distinto de síntese (como harmonizar os esforços das divisões) — só se realizam reformas parciais, mas não se consegue eliminar radicalmente os “pontos fracos” ou encontrar um novo fôlego para algo.

O Sol — Saturno: São Jorge transpassa o dragão com sua lança. Se o nível jupiteriano oferece preparação abrangente e garantias, o saturnino põe tudo à prova na prática. Quando a pessoa escolhe uma das opções de futuro, em dado momento a opção escolhida se aproxima tanto dela que quase se torna real, como se perguntasse: “Você realmente quer que tudo aconteça assim?” — e esse é o instante em que vibrações do nível saturnino são evocadas. Na situação solar-saturnina, a pergunta é formulada assim: “Você realmente quer arruinar isso e criar aquilo?”, e se a pessoa dispõe de energia solar-saturnina, ela responde nela: “Sim” — e o mundo se transforma da maneira indicada.

Assim funcionam os procedimentos de diálogo para exclusão de dados nos computadores modernos: o programador emite o comando para apagar o arquivo, e o computador exibe na tela: “Tem certeza de que quer fazer isso? Ainda não é tarde para reconsiderar, diga se está convicto em sua intenção ou cancele a ordem impensada.” Desse modo, o primeiro comando de exclusão do arquivo é direcionado à energia solar-jupiteriana (por assim dizer, reunir tudo e preparar para a eliminação), e o segundo, à energia solar-saturnina (destruir de modo decisivo). É produzida a decisão final e irreversível e iniciado o programa de eliminação do velho ou nascimento do novo: os primeiros tanques entram em movimento, o avião decola, o orador sobe à tribuna. Do mundo que nasce depende o que da realidade anterior continuará a existir, o que deixará de existir e qual será a nova realidade.

зruir a velha realidade e criar uma nova, haverá o suficiente. Nesse processo, deve-se levar em conta que o plano no qual ocorre principalmente a destruição e a criação é determinado pela posição do Sol no signo (e, em certa medida, por seus aspectos). Por exemplo, o Sol em Áries dará à pessoa frequentes necessidades de mudanças radicais no sistema de valores, próprios e alheios, mas, claro, no ritmo característico do corpo buddhico, o que pode ser psicologicamente difícil de entender para a pessoa, especialmente se os corpos buddhico e causal estiverem fundidos em sua consciência. O Sol em Capricórnio no mapa de um casal significa a necessidade de escolher novos caminhos de alinhamento mental das ações e de cancelar alguns antigos; de alguma forma, os antigos acordos deixam de ser eficazes, e os parceiros muitas vezes não entendem por quê — mas deles é necessário abrir mão regularmente. Um Sol forte no mapa de uma empresa lhe dá a possibilidade — e a necessidade — de constantemente mudar as formas de sua organização e trabalho; se o Sol estiver afligido, podem haver fortes tendências de autodestruição, especialmente no material do canal zodiacal em que ele se encontra, e seu processamento deve receber atenção especial. Frequentemente, a karma solar afligida é assumida por um dos funcionários, e então é necessário distinguir cuidadosamente onde nele há apenas um “mau caráter”, e onde, através dele, age o demônio caótico da empresa. Um Sol fraco dá à pessoa a possibilidade de viver ao longo da vida evitando muitas situações de catástrofe dos velhos mundos e da criação de uma nova realidade, o que lhe cria a ilusão de liberdade e uma reduzida sensação de responsabilidade por suas escolhas. Um Sol fraco em Câncer proporciona uma profunda estabilidade emocional — embora externamente a pessoa possa parecer muito sensível e vulnerável, e isso, em certa medida, é verdade, mas seus sofrimentos (e triunfos) raramente alteram sua imagem emocional básica do mundo. Um Sol fraco em Sagitário pode dar uma natureza calma e ponderada, que responde às tensões emocionais em um tom mental muito estável, difícil de abalar. Ele pode dissipar a propaganda alheia, mas, ao mesmo tempo, algo indescritível o atrairá nela. Um Sol fraco pode estar em uma empresa confiável com boas tradições, por exemplo, em um banco sólido, avesso a aventuras e clientes aventureiros, que oferece uma renda não muito grande, mas garantida por depósitos e sempre pronto para auditorias — embora, claro, apenas aspectos fracos do Sol não garantam que, um dia, ele não… No entanto, a destruição, se ameaçá-lo, provavelmente será lenta, e haverá muitas oportunidades ao longo do caminho para corrigir parcialmente os negócios. Por outro lado, também é difícil esperar um rápido crescimento repentino para uma empresa com um Sol fraco, a menos que seu mapa não tenha um Júpiter muito forte no décimo casa ou em aspecto a ele. No horóscopo de um Estado, um Sol fraco pode significar a tolerância do governo, baixos gastos com o exército, liberdade de movimento para dissidentes etc., mas, ao mesmo tempo, a relutância em tomar medidas decisivas quando absolutamente necessário: o inimigo já está às portas, professores nas universidades pregam abertamente heresias etc. Um Sol harmonioso facilita em grande parte o processo de escolha em circunstâncias críticas: instala corrimãos na ponte sobre o abismo, põe uma fita de uma cor conhecida no cabelo da noiva verdadeira (ao contrário das falsas) etc. Por outro lado, essa pessoa tem dificuldade em tomar ações radicais, digamos, condenar um criminoso à morte ou dar uma clara preferência a um contrato em detrimento de outro; se o destino a obrigar a isso, ela fará de conta que não há grande diferença entre uma opção e outra. Até mesmo na questão da morte: ela deve chegar algum dia, um dia antes ou um ano depois — que diferença faz, especialmente porque, para o além, isso não é tão importante, e na próxima encarnação sempre se pode terminar o que não foi feito aqui… Claro, esse tipo de posição ameaça com hipocrisia e tendência a usar óculos cor-de-rosa, mas, aos olhos de tal pessoa, as coisas realmente diminuem de importância, e com o Sol em Sagitário, por exemplo, ele pode acalmar a fúria de uma multidão, conectando-se ao seu campo astral e encontrando palavras e imagens adequadas que transformem a energia grupal em formas mentais comuns e seguras. Uma empresa com um Sol harmonioso causará uma impressão positiva em seus funcionários, clientes e parceiros comerciais — ela trabalha bem como mediadora, um pouco parasitando todos os participantes, mas aliviando visivelmente os conflitos. No entanto, na ausência de paixão suficiente, inclusive de transformações arriscadas de sua própria estrutura e princípios de interação com o ambiente externo, ela corre o risco de apodrecer, e então fobias e problemas não resolvidos podem irromper de repente à superfície como lava e cinzas vulcânicas. Um Sol afligido dá à pessoa uma grande propensão a aventuras — qual tipo específico, mostrará a posição do Sol na casa e seus aspectos. Um Sol afligido se entedia quando nada acontece — e, em sua opinião, um verdadeiro evento ocorre quando acontece uma pequena, mas catastrófica ruptura, algo é irreversivelmente destruído e algo completamente novo surge. Essa pessoa tem muita energia para fazer escolhas, mas é muito difícil aprender a fazê-las corretamente, pois elas são, na maioria das vezes, objetivamente difíceis. Com um Sol afligido em Áries, é difícil ajustar suas posições e valores de vida, mas o corpo átmico insiste nisso — daí a provável complexo de insegurança global, que muitas vezes é mascarado por arrogância grosseira, presunção e demonstração de excessiva autoconfiança, bem como por um desejo direto de dar conselhos, característica também do Sol harmonioso em Áries, mas este último é um pouco mais tato na aparência. Um Estado com um Sol afligido muitas vezes se lança em programas arriscados de reestruturação social, que podem até ser bem-sucedidos se houver a sanção do demiurgo do etnos e de sua Alma Coletiva — sobre isso pode-se adivinhar indiretamente pelos aspectos de Júpiter, Lua e Saturno e pelo tipo geral do horóscopo. A posição do Sol no signo e seus aspectos mostrarão o principal foco das reformas radicais, por exemplo, Áries — ideologia, Leão — economia fundamental (agricultura + indústria pesada), Touro e Capricórnio — indústria leve, Libra — comércio etc.

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