| Авесалом Подводный série “Cabala astrológica” Parte 4 DIALÉTICA, ou CASAS Introdução Neste livro, o autor descreve a concepção do desenvolvimento do organismo oculto como um esquema dialético de doze anos com base nos fluxos transitivos (ascendentes e descendentes) dos corpos sutis. Ao unificar todos os fluxos zodiacais em um, obtemos a primeira ideia do fluxo global de informação e energia do organismo, cujas rupturas coincidem com os corpos sutis: uma ruptura para os corpos extremos (atmânico e físico) e duas rupturas para cada corpo intermediário (buddhico, causal, mental). Para fechar completamente o círculo do fluxo global, precisamos, evidentemente (ver fig. 1), introduzir os fluxos transitivos dos corpos extremos e os fluxos transitivos ascendentes e descendentes dos corpos intermediários (estes estão indicados no desenho com setas tracejadas), e então os 24 fluxos, juntos, formarão o fluxo global do organismo. Se pensarmos no organismo como um todo, é perfeitamente possível tomarmos como base a ideia do fluxo global e imaginarmos os corpos como lentes que transformam esse fluxo de maneiras diferentes.
Fig.1. Fluxo global de informação e energia (os fluxos zodiacais estão representados por setas contínuas, os fluxos transitivos por pontilhados) * * * Abaixo, é apresentada uma breve descrição dos fluxos transitivos; no entanto, o autor faz algumas observações preliminares. A principal metáfora utilizada para descrever as meditações dos corpos sutis é a vida da floresta, ou, em uma versão mais culta, do jardim. Do corpo que está acima, a floresta recebe sementes das futuras plantas, que crescem no solo criado pelas transmissões do corpo que está abaixo; como resultado da vegetação, amadurecem os frutos que vão para o corpo superior e tornam-se seu solo, formando resíduos (folhas caídas, troncos secos, etc.) que vão para o corpo inferior e tornam-se ali as sementes e embriões. Essa imagem é válida para os corpos intermediários — do buddhico ao etérico, inclusive. No caso dos corpos extremos — atmânico e físico — ela é um pouco reduzida: no atmânico, não há sementes nem frutos (permanecem apenas o solo e os resíduos das meditações), enquanto no físico, ao contrário, não há solo nem resíduos, mas apenas sementes e frutos. No entanto, embora no corpo atmânico não haja sementes das meditações recebidas do corpo superior (por não existir tal corpo), isso não significa que suas meditações sejam determinadas: elas variam tanto sob a influência do solo trazido pelo fluxo de Peixes do buddhico quanto em decorrência das trocas de informação e energia com o plano atmânico do mundo sutil como um todo. Por outro lado, embora as meditações atmânicas não gerem frutos enviados ao corpo superior (como já foi dito, por não existir tal corpo), ainda assim podemos falar de uma espécie de “horizontal” analogia desses frutos, entendendo-as como certas transmissões do corpo atmânico para o plano atmânico, realizadas como resultado. Assim, podemos falar de “frutos horizontais”, digamos, das meditações buddhicas ou mentais. Ou seja, as meditações do corpo atmânico não têm nenhum sentido ou resultado “superior” em relação a si mesmas, mas podem atuar no plano atmânico como um todo. Da mesma forma, embora no corpo físico não haja solo criado pelas transmissões do corpo inferior (por não existir tal corpo), ainda assim existe algum solo nele — ele é formado com a ajuda do plano físico externo, do qual o corpo físico recebe nutrição e outros tipos de suporte de informação e energia. E, por outro lado, os resíduos das meditações físicas, que não existem no sentido cabalístico da palavra, existem em seu “entendimento horizontal”, ou seja, como aqueles que são enviados ao plano físico externo (produtos da respiração e transpiração, resíduos da atividade digestiva, etc.). No entanto, ao falarmos dessas analogias, devemos lembrar que os verdadeiros — ou “verticais” — solo, frutos, sementes e resíduos recebidos dos corpos sutis vizinhos ou enviados a eles diferem qualitativamente de seus equivalentes “horizontais”, que participam do processo de troca de informação e energia do corpo com o plano correspondente a ele. * * * A cultura interior do ser humano é amplamente determinada por sua capacidade de sentir seu organismo oculto e de tomar consciência dos processos que nele ocorrem, para então intervir neles com tato, aplicando, como regra, métodos homeopáticos e, apenas em casos raros, métodos cirúrgicos. O primeiro estágio do autoconhecimento cabalístico é a diferenciação dos corpos: o ser humano aprende a distingui-los uns dos outros e a determinar a posição de seu ponto de composição (centro de percepção): em qual corpo e com que estabilidade ele se encontra agora. Não se deve pensar que esse primeiro estágio seja fácil: o subconsciente às vezes está muito interessado em certas manipulações e tenta apresentar, por exemplo, fragmentos do corpo mental como buddhicos ou do astral como atmânicos; aquilo que pensamos sobre nossos valores muitas vezes não coincide com a verdadeira imagem buddhica do mundo e pode nos desviar completamente do caminho espiritual. Portanto, o crescimento da autoconsciência cabalística está inseparavelmente ligado ao desenvolvimento evolutivo geral e exige do ser humano uma orientação espiritual, grande honestidade interior e sacrifícios constantes do princípio inferior ao superior, o que se aplica não apenas ao entendimento dos corpos superiores, mas, surpreendentemente, também dos inferiores. Isso pode surpreender o leitor: é claro que, para separar seu corpo atmânico do buddhico, é necessário, de alguma forma, sentir sua missão e vida como um todo, o que exige certa maturidade e afastamento dos problemas imediatos, mas por que a mesma coisa vale para a diferenciação, digamos, dos corpos físico e etérico? A resposta está, em primeiro lugar, na unidade do organismo, em particular, nas conexões diretas entre os corpos do invólucro sutil e do invólucro denso (o autor lembra que o invólucro sutil consiste dos corpos atmânico, buddhico e causal, e o denso, dos corpos astral, etérico e físico), em decorrência das quais a diferenciação cuidadosa dos corpos etérico e físico é impossível sem a diferenciação dos buddhico e causal, e a diferenciação do astral do etérico está diretamente ligada à diferenciação do atmânico e do buddhico. A segunda razão para as dificuldades na diferenciação dos corpos do invólucro denso está no fato de que o subconsciente da pessoa comum e da sociedade como um todo trata esses corpos e suas energias de forma muito pragmática, predatória e consumista, e tal atitude é, em si mesma, um grande obstáculo para seu entendimento e, em particular, para sua diferenciação. O segundo estágio do autoconhecimento cabalístico é a estruturação dos corpos sutis individuais (incluindo o físico) e, acima de tudo, a identificação, neles, de regiões ou, se usarmos a abordagem ondulatória, de vibrações características da troca com os corpos superiores e inferiores. Primeiramente, é necessário aprender a distinguir as transmissões dos corpos vizinhos (importação) dos produtos das meditações do corpo, enviados para cima e para baixo (exportação). A importação constitui o solo e as sementes; a exportação, os frutos e os resíduos, e, a princípio, o ser humano aprende a distinguir importação e exportação sem se deter nos detalhes de sua composição, e só depois compreende a diferença (no âmbito da importação) entre solo e sementes e (no âmbito da exportação) entre frutos e resíduos. Quais são os sinais que determinam essas diferenças? Uma importação abundante confere ao corpo grandes forças internas, disposição para meditações intensas, provações e experiências, além de uma sensação de incerteza em relação ao futuro — em grande parte, completamente incompreensível, como será e que frutos trará. De modo geral, um corpo com forte energia de solo e sementes se sente como jovem — nele, por assim dizer, tudo (ou muito) está por vir e ainda há pólvora na pólvora. Em contrapartida, uma grande quantidade de energia destinada à exportação é acompanhada por uma sensação de cansaço do corpo, pela percepção de muita coisa vivida, pela experiência adquirida e pelo desejo de aplicá-la de alguma forma ou, ao menos, livrar-se dela, pois ela é pesada — tanto a experiência valiosa (frutos) quanto o fardo de problemas não resolvidos e claramente insolúveis (resíduos).No corpo com energia predominante de frutificação e descarte, sente-se como velho e sábio; tudo o que é essencial já ficou para trás, restando apenas livrar-se dos valores adquiridos e descartar a velha pele. Geralmente, aprender a distinguir exportação e importação desse corpo sutil não é muito difícil — desde que a pessoa consiga isolá-lo entre os demais corpos. Em muitos casos, é bem mais complicado separar os frutos dos resíduos e as sementes do solo, e esse momento é crucial, pois tal divisão depende, em certa medida, da vontade da própria pessoa. Analisemos, por exemplo, a meditação do corpo mental. Se, após reflexões, a pessoa chega a conclusões que fundamentam um plano de ação, é claro que essas conclusões são frutos plenos da meditação mental, aplicados adequadamente, ou seja, direcionados ao canal de Capricórnio. Se, contudo, as conclusões finais apresentadas à pessoa são duvidosas — ainda que lógicas ou impressionantes, não se encaixando no panorama mental geral —, elas também precisam ser tratadas; nesse caso, são enviadas não ao corpo causal, mas ao astral pelo canal de Câncer: a pessoa vivencia emocionalmente a imperfeição de seus esforços mentais e, depois, os esquece por completo. Assim, o fruto da meditação mental, em alguns casos, pode ser considerado impróprio (por exemplo, podre) e descartado como resíduo para o corpo inferior. A substituição inversa também é possível; trataremos dela com base no fluxo vital, ou seja, nas meditações causais. Há pessoas com mente fraca, mas com energia buddhica forte, ainda que desarmônica. Nesse caso, surge com frequência a tentação de tomar os resíduos causais por frutos, e, em vez de enviar o toco causal deteriorado pelo canal de Gêmeos ao corpo mental e refletir seriamente sobre as causas de seus fracassos, a pessoa, sem pensar duas vezes, o envia pelo canal de Aquário ao corpo buddhico, formando posições vitais como “na verdade, sou incapaz de qualquer coisa”, “eles são os culpados por tudo”, entre outras. A rigidez dessas posições, mesmo louváveis do ponto de vista ético social ou cósmico, costuma fazer com que o esqueleto buddhico rompa seus tecidos mais delicados e fique exposto, de modo que o corpo sangra constantemente, adoece e exige grande suporte energético — sobretudo causal. Então, tudo o que acontece com a pessoa é interpretado de modo a confirmar suas posições há muito deficientes ou compensar complexos. Nesse caso, geralmente, o canal de Gêmeos é bloqueado; a pessoa deixa de pensar no que lhe ocorre, ou seja, de interpretar mentalmente suas dificuldades, e envia todos os resíduos causais a Aquário — em grande prejuízo tanto para o canal quanto para o solo buddhico, que se contamina fortemente, podendo levar a uma intoxicação grave. Nesse contexto, posições vitais defeituosas do ponto de vista orgânico (em especial do corpo atmânico) nem sempre são egoístas ou niilistas: às vezes, são excessivamente benevolentes e ingênuas, levando à irresponsabilidade elementar consigo e com o mundo. Por exemplo, uma pessoa criada em família culta e religiosa pode absorver com o leite materno princípios como não-violência, amor e confiança a priori nos outros, acreditando sinceramente que o mal e a mentira não se aproximarão do amor, da nobreza e da honestidade. Ao se deparar com um beco sem saída causal insolúvel, provocado pelo mal, pela mentira e pela violência contra si ou por ela mesma gerados, pode, contudo, recusar-se a investigar mentalmente a situação (sentindo que isso não levará a nada agradável) e enviar os respectivos resíduos causais (a podridão e o mofo desagradáveis) ao corpo buddhico, formando ali, além das já existentes, uma posição como: “Deus age para o nosso bem — mesmo que agora ninguém veja isso”. É improvável que o leitor consiga contestar essa afirmação, mas, como posição vital pessoal, ela se adequa melhor a sábios mahatmas de Shamballa do que ao indivíduo médio-social, para quem Deus muitas vezes surge como justiceiro ou, pelo menos, como advertência ameaçadora (especialmente quanto às consequências). Ao contrário, uma pessoa com mente forte e corpo buddhico fraco tende a interpretar tudo o que lhe acontece, muitas vezes sem perceber, enviando os frutos causais mais valiosos pelo canal de Gêmeos, “diluindo” a experiência vital e privando a si mesma do suporte de suas posições, valores e bases existenciais. O pensamento, mesmo o mais consciencioso, pode profanar — e como! — a experiência humana destinada a nutrir o solo buddhico, e é difícil para o indivíduo do século XX, educado no culto das energias e construções mentais, aceitar isso. A razão (energia do plano mental) é, em muitos aspectos, oposta à sabedoria (energia do plano buddhico), e é um erro considerar a segunda uma forma superior da primeira. Por isso, não é possível transmitir o conteúdo de poemas ou explicar o sentido de anedotas e aforismos filosóficos: eles ou são compreendidos pela própria energia buddhica, ou não são percebidos de modo algum. *** À primeira vista, a diferença entre solo e semente do corpo sutil parece fundamental, mas, na prática, a pessoa pode transformar sementes em solo, privando-as da parte mais íntima de sua energia — os embriões, ou seja, os programas de desenvolvimento; e, por outro lado, pode tentar tratar o solo como semente, como que o germinando — e, assim, realmente, algo cresce. Agora, analisemos os fluxos transitórios concretos. O leitor não deve encará-los de forma literal: ao contrário dos fluxos zodiacais, eles são, em certa medida, uma abstração, pois isolam do processo vital geral desse corpo sutil partes específicas (por exemplo, sementes e resíduos); no entanto, é justamente aqui que se realiza a transformação correspondente aos doze passos dialéticos. O fluxo transitório oriental do corpo buddhico é a transformação da semente do desenvolvimento buddhico em resíduos desse desenvolvimento, que depois caem no corpo causal. A semente do programa de desenvolvimento (de qualquer corpo) é, como se diz, “por que lutamos”; os resíduos simbolizam obstáculos insolúveis que exigem a mudança ou a interrupção do programa — “no que esbarramos”. A sabedoria vital comum equipara um ao outro, ou melhor, estabelece uma relação direta entre eles; já a dialética cabalística, contudo, afirma que essa relação existe, mas não é direta e, dependendo do mapa natal, pode assumir doze formas distintas. A semente no corpo buddhico tem origem atmânica: são anseios especiais, muitas vezes elevados e abstratos, relacionados a ações concretas, mas que, ao mesmo tempo, exigem inequivocamente a reestruturação do sistema de valores da pessoa, de suas bases existenciais, de suas atitudes e posições. Em pessoas sem experiência (ou desejo) de autoanálise e vida interior intensa, a germinação da semente buddhica é pouco consciente, mas vivenciada de modo intenso: a pessoa sente que algo está acontecendo, que está mudando, tornando-se diferente em muitos aspectos, e isso pode ser doloroso, desconfortável e incomum, embora a vida mude — para melhor ou para pior, muitas vezes é difícil adivinhar. Contudo, com o tempo, o corpo buddhico se reestrutura para um novo programa, e a pessoa passa a implementá-lo: desenvolve talentos e virtudes, vive segundo novos valores e posições, realiza novos programas e valores existenciais. Nesse processo, surgem inúmeras dificuldades e contradições de nível buddhico, nem todas conscientes, mas muitas vezes insuperáveis (ou percebidas como tal); estas, tornando-se como galhos secos e folhas amareladas de uma floresta buddhica, são enviadas pelo canal de Touro ao corpo buddhico e ali se transformam em sementes de novos programas de desenvolvimento causal, cujo sentido esotérico é resolver a contradição não resolvida no nível buddhico.No entanto, os fluxos transitórios são sempre analisados dentro do contexto do corpo em questão, e em relação ao fluxo buddhial descendente a questão é colocada da seguinte forma: que dificuldades, obstáculos e contradições de nível valorativo a pessoa que está implementando uma nova vida enfrentará? Quais de seus valores entrarão em conflito com os de outros? Quais talentos poderão se desenvolver e em detrimento do quê isso ocorrerá? Quais grandes programas passarão suavemente pela alma, e quais levarão a uma crise ou profunda desilusão? Quais posições de vida conseguirá harmonizar entre si, e quais se estilhaçarão e se quebrarão dolorosamente? O nível buddhial diz respeito não às ações, mas às posições, e nos relacionamentos humanos íntimos ele é muito mais importante, de modo que o fluxo buddhial descendente determina, em grande parte, os principais enredos dos relacionamentos de uma pessoa com os outros, e a compreensão desses enredos fornece as chaves para sua harmonização e uso construtivo. O fluxo oriental do corpo causal é a transformação da semente causal em resíduos da vegetação causal. Em outras palavras, aqui nossa atenção está focada em quais obstáculos, complicações e becos sem saída aguardam os programas de ações específicas de uma pessoa que está começando novamente — independentemente de ela achar que os conduz ativamente ou se eles ocorrem com ela como um agente passivo. De modo geral, deve-se dizer que tanto a capacidade de dividir o fluxo causal (de vida) em eventos individuais quanto, ainda mais difícil, a habilidade de conectar eventos em cadeias essencialmente esotéricas — não são habilidades que todos possuem, e entre aqueles que as possuem, poucos entendem quão importante isso é. Os programas de ação não se limitam àqueles que a pessoa ativamente programa ou aos quais conscientemente se submete: muitas cadeias causais ocorrem, registrando-se apenas raramente e minimamente na consciência, embora desempenhem um grande papel na vida. No entanto, o surgimento de cadeias causais significativas, simbolizado pela ativação taurina, raramente passa despercebido: a pessoa sente que algo está começando e geralmente tem uma ideia aproximada da natureza desse algo, ou seja, do tecido de eventos (tanto externos quanto internos), embora geralmente não consiga prever seus detalhes com exatidão. Se a ativação principal for acompanhada por sentimentos de elevação espiritual, entusiasmo elevado, etc., a transmissão taurina muitas vezes dá à pessoa uma sensação de posse, um sentimento de prontidão para certos esforços e provações, e pessoas de profissões responsáveis (escritores, artistas, alpinistas) não começam seus trabalhos sem essa sensação. No início de uma cadeia causal, a pessoa muitas vezes experimenta uma espécie de euforia: “posso fazer tudo, vencerei todos os obstáculos e dificuldades, ou pelo menos os contornarei”. No entanto, à medida que a energia da semente causal enfraquece e a planta causal cresce, o humor muda, e parte dos obstáculos revela-se insuperável no nível causal: aparecem as primeiras folhas secas e galhos, o tronco se choca com galhos de árvores vizinhas, etc. Que tipo de obstáculos se pode esperar e como eles estão relacionados com a ideia inicial do projeto causal? A resposta geral a essa pergunta é dada pela casa (transição de fase) com cúspide em Touro, que governa o fluxo causal descendente. O fluxo oriental do corpo mental é a transformação dos motivos causais iniciais das meditações mentais em várias contradições, dificuldades e becos sem saída do pensamento, insuperáveis no nível mental. Aqui, deve-se notar que um beco sem saída mental ou contradição nem sempre é percebido pela pessoa como algo negativo (isso, aliás, se aplica a todos os outros corpos), de modo que a expressão “resíduos mentais” (assim como os causais, buddhiais e outros) não carrega, em geral, uma conotação negativa na Cabala. O pensamento sem uma necessidade causal aguda torna-se insípido e entediante devido à falta de relevância: “A sátira, o trocadilho em um copo d’água, enferrujam-se” (F. Krivin). Da mesma forma, a ausência do chamado paradoxo necessário no pensamento priva-o do elemento emocional de percepção. A linguagem sempre se caracteriza por polissemia e homonímia, ou seja, pela ambiguidade de sentido das palavras e expressões, graças à qual surgem séries puramente “filológicas” de anedotas, por exemplo: “Stirlitz saiu do mar e caiu na praia. De modo geral, o senso de humor está em grande medida ligado à capacidade de perceber um beco sem saída mental, reconhecê-lo como tal e enviar o respectivo graveto mental pelo canal de Câncer para o corpo astral. Já o pedante, ao contrário, tende a regar e adubar interminavelmente arbustos mentais secos sem esperança, na esperança de fazer brotar neles, quem sabe, um sabugueiro, ou pior, tenta apresentar agulhas secas como maçãs maduras. Essa é, com mais frequência, a linha de comportamento de chefes malsucedidos e maus administradores. Ao chamar um subordinado ao seu escritório com o objetivo de dar-lhe uma tarefa criativa, tal chefe, em uma conversa instrutiva, cultiva uma árvore mental que (pelo menos na visão do subordinado) não apenas não dá frutos, como simplesmente seca na raiz. No entanto, a situação obriga o subordinado a fingir que ele cuidadosamente colheu todos os frutos mentais amadurecidos durante a conversa, os organizou em uma caixa, cobriu com serragem e, assim que sai pela porta, envia-os imediatamente pelo canal de Capricórnio para o corpo causal, ou seja, “passa a executar” a tarefa. Na realidade, ao retornar ao seu escritório, ele tira da gaveta um galho seco e disforme e, com as palavras: “E o que é que nosso idiota inventou hoje!”, transmite sua percepção da tarefa aos colegas, enviando a planta desesperadamente seca pelo canal grupal de Câncer, provocando risos (às vezes amargos) e alegria (nem sempre pura) de todos os funcionários. A casa (com cúspide em Gêmeos), que governa o fluxo mental descendente, mostrará quais obstáculos e problemas específicos a mente enfrentará ao processar a situação causal atual, e onde ela poderá parar e descansar, substituindo-se por sentimentos (emoções). O fluxo oriental do corpo astral é a transformação da semente das experiências emocionais em seus obstáculos, becos sem saída e contradições. De modo geral, a cultura da vida emocional na civilização moderna é um conceito superexotérico; as emoções são parcialmente reguladas socialmente — mas quase exclusivamente por regras e exigências não escritas e extremamente eficazes, que, além disso, são insuficientes, pois não respondem às questões mais simples, mas vitais: como regular os próprios sentimentos? É possível suprimi-los e como? É possível descarregá-los nos outros e é necessário escondê-los da sociedade? O que fazer quando eles se esgotam? Em que medida e como se pode confiar neles? Como reagir corretamente a golpes emocionais (e aos próprios)? A casa (com cúspide em Câncer), que governa o fluxo astral descendente, determinará a direção geral da transformação das meditações emocionais: desde o seu início, ligado à reação emocional primária a uma ou outra contradição mental, até o seu término, ao qual a pessoa moderna raramente presta atenção, mas que é extremamente importante também para si mesma. Essa casa, em geral, responderá às perguntas: quais obstáculos surgirão no caminho do fluxo da emoção? Com o que ela se deparará e qual será o resultado? Em qual contradição ela parará, se dissolverá ou será enterrada? O fluxo oriental do corpo etérico transforma a semente astral das meditações etéricas em seus resíduos, ou seja, tensões e antagonismos insolúveis no nível etérico. As concepções sobre as próprias meditações etéricas variam muito entre as pessoas, em particular porque algumas lhes dão grande atenção, enquanto outras nenhuma. Como você se sente logo após acordar? Quais são suas sensações uma hora após o almoço? Como as experiências emocionais e sexuais afetam o seu tônus? Uma pessoa que tem observações significativas sobre todas essas questões é etericamente orientada (o que, observemos entre parênteses, não é equivalente a egoísmo); às vezes, ela pode descrever com minúcias suas sensações após ingerir determinado alimento, as sensações que experimenta ao dissolver um hematoma, etc. De modo geral, o que é chamado de “sensações físicas” é, em sua maioria, reações etéricas. É bem sabido que conflitos e estresses emocionais (que semeiam sementes etéricas suficientes) são acompanhados por fortes reações bioenergéticas: a pessoa sente-se tonta ou tonificada, experimenta fraqueza ou “fervura do sangue”, ou seja, literalmente uma tempestade etérica. Como essa meditação etérica prosseguirá?Se ela ficará presa no lugar etéreo mais inconveniente, ameaçando destruir órgãos etéreos (e depois físicos)? Ou se dissipará em inúmeras plantinhas que gradualmente secam (saúde estável) ou se fundirá em um carvalho poderoso que apodrece por completo e subitamente se quebra ao meio (infarto)? Uma resposta comum a essas perguntas será a casa com cúspide em Leão, que indicará o caráter dos becos sem saída, obstáculos e resíduos de meditações etéreas, iniciadas por conflitos e problemas astrais não resolvidos. O fluxo transitório do corpo físico é a transformação da semente etérea, que adentra o corpo físico, em frutos de meditações físicas, que depois são devolvidos ao corpo etéreo. O que é essa semente etérea? São inúmeros agentes que atuam como catalisadores, inspiradores e gestores do futuro movimento físico (não necessariamente breve, como um passo ou pulo: pode ser a inclusão de um estado de gravidez, o processo de troca de dentes ou o enjoo de movimento). As questões que, do ponto de vista bioquímico, ainda não foram esclarecidas por completo: aparentemente, aqui estão envolvidas diversas células nervosas e suas estruturas, hormônios e muitas substâncias e seres ainda desconhecidos. Em um nível de tratado autêntico, contudo, é muito mais importante a experiência subjetiva da pessoa com a transmissão etérea para o corpo físico: é um estado em que o movimento físico, por assim dizer, está inteiramente preparado ideologicamente (não importa quão bem) e já começou na prática — pelo menos, já não pode ser interrompido, e a meditação física, ou seja, alguma dança inevitável. O levantador de peso se inclina sobre a barra e segura firmemente a barra; o bebê faminto se agarra ao seio materno; o jovem apaixonado atrai para si o amado; o ladrão se aproxima do cofre e pega suas ferramentas. Essa é a aparência do início da meditação física; quais serão seus frutos (no sentido cabalístico)? Se o início da meditação se caracteriza pela concentração física e energia oculta que, segundo um plano, deve ser liberada, os frutos, ao contrário, são liberados no relaxamento físico que surge após o esforço realizado. Nesse relaxamento, não só os músculos se soltam, mas também os demais tecidos — os ligamentos afrouxam, as articulações amolecem e até os ossos que se curvavam sob o peso da carga se endireitam. Todos esses processos são acompanhados pela liberação de calor, parte do qual desaparece sem deixar rastro do corpo físico (e do plano), transformando-se (por meio do canal de Libra) em energia e matéria etéreas. Provavelmente, a ciência do futuro descobrirá que, no relaxamento, uma pequena quantidade de matéria também passa do corpo físico para o etéreo (desaparecendo puramente do plano físico) — um processo análogo, na física, à transformação de um par partícula-antipartícula em energia. A casa (com cúspide em Virgem), que rege o fluxo transitório do corpo físico, mostrará como ele percebe a transição do estado pré-ativo para o pós-ativo e quais efeitos típicos surgem nesse processo. O fluxo ascendente do corpo etéreo é a transformação do solo etéreo em frutos de meditações etéreas. É claro que esses frutos dependem em grande medida das plantas que os produzem e, portanto, de suas sementes, trazidas pelo fluxo de Câncer do corpo astral. Ainda assim, existem padrões gerais independentes do tipo de flora etérea que cresce, os quais determinam em grande parte a forma como os frutos etéreos amadurecem, dependendo dos solos definidos pela casa com cúspide em Libra. A capacidade de discernir os frutos das meditações etéreas é um importante passo, por assim dizer, do autoconhecimento bioenergético da pessoa. O término do ciclo de vegetação etérea (se é que podemos dizer assim, o “entardecer” etéreo) significa o surgimento de uma grande quantidade de frutos e resíduos com os quais é preciso lidar corretamente. Os resíduos etéreos provocam uma agitação bioenergética específica: a pessoa parece ser sacudida, tremendo e tendo calafrios, como se ondas profundas a percorressem — tudo isso nada mais é do que a preparação para alguma ação física: “Minha boca treme como em fogo, / O desejo está tenso, / O suco faminto escorre em jorros, / Ora se alonga como um dragão, / Ora se comprime como urina, / A saliva, espessando-se, murmura na boca / E as mandíbulas cerradas dobram-se… / Quero você! (N. Zabolótski, “Peixaria”)”. Os frutos das meditações etéreas, por sua vez, são vivenciados de maneira completamente diferente: é uma espécie de agitação bioenergética superior, que, por fim, aprofunda, enriquece e intensifica (às vezes envenena) o fundo emocional geral. Assim, boas esposas e mães sabem perfeitamente que a comida não oferece aos maridos e filhos apenas forças (etéreas) necessárias para trabalhos físicos e deslocamentos, mas também forma a base emocional da vida familiar. Para isso, contudo, é necessário deixar que os frutos etéreos amadureçam e lhes dar a oportunidade de, pelo canal de Escorpião, adentrarem o corpo astral, sem enviá-los ainda verdes pela Virgem ao físico. Muitas vezes, jovens esposas inexperientes pecam com isso, alimentando rapidamente o marido e logo em seguida o enviando para afazeres domésticos ou outros compromissos; sabe-se que a gratidão emocional, se chega ao coração do marido, não encontra expressão alguma, causando grande prejuízo ao casamento. O fluxo ascendente do corpo astral representa a transformação dos solos astrais em frutos de meditações emocionais, ou seja, uma espécie de emoções finais que, passando pelo canal de Sagitário, tornam-se estados de espírito. A capacidade de “manter-se no controle” em alto nível significa não apenas o controle sobre, por assim dizer, a amplitude das meditações emocionais, mas também a separação cuidadosa dos frutos astrais dos resíduos. A pessoa que não domina bem seu corpo astral e cai em emoções incontroláveis sofre duplamente: bioenergeticamente e mentalmente. Seu corpo astral se assemelha a um pomar sob um furacão: o vento derruba frutos astrais maduros, quebra galhos, ramos e até troncos, e tudo isso voa, pelo canal de Leão, para baixo, ao corpo etéreo, causando grandes estragos (a pessoa começa a ter o coração disparado, a pressão a pular etc.), mas não consegue dizer ou sequer pensar nada de substancial. O processamento adequado permite que se pronuncie uma linguagem flamejante, permanecendo etereamente calmo — em uma posição em que uma pessoa sincera, mas culturalmente astraismente inculta, sofreria um infarto ou infligiria graves danos físicos ao ofensor. A casa com cúspide em Escorpião mostrará as características gerais típicas da transformação do solo astral em frutos astrais, próprias dessa pessoa (ou coletivo), e que dependem do conteúdo específico da meditação emocional, ou seja, do tipo de planta frutífera. O fluxo ascendente do corpo mental é a transformação dos estados de espírito fundamentais da pessoa em suas conclusões finais, que depois se tornam a base das meditações causais. Aqui, contudo, não se deve entender a palavra “conclusões” de forma demasiado estreita — muitas “conclusões” práticas são feitas pela pessoa de modo inconsciente e ela nem as percebe, ou só vê pequenos fragmentos delas. Por exemplo, uma intensa meditação mental está acontecendo com o motorista ao volante do carro, mas suas “conclusões”, que fundamentam suas ações concretas — como virar o volante, pisar no acelerador ou no freio etc. — em sua maioria não são registradas pela consciência. O mesmo pode ser dito sobre lutadores profissionais, guerreiros e outras pessoas obrigadas a agir em situações agudas, nas quais não há tempo para perceber as “conclusões” mentais — mas isso não significa que as meditações mentais não estejam acontecendo: elas ocorrem da forma mais intensa e produzem, por vezes, frutos de alta qualidade. Isso se aplica não apenas à dança de campeões mundiais de patinação artística ou aos saltos e golpes de um badmintonista, mas também, digamos, à digestão de uma refeição farta por um verdadeiro gourmet. Não é à toa que, após uma refeição pesada, é difícil pensar: todas as forças do corpo mental são direcionadas para analisar o conteúdo do estômago e elaborar a estratégia ótima de assimilação dos alimentos. O que, então, é o solo mental?Subjetivamente, ela é percebida como potencial mental, ou melhor, como matéria mental bruta, expressa, por exemplo, na capacidade de raciocinar em determinada chave ou com certo humor sobre qualquer tema. O solo mental tem origem astral, por isso nele geralmente se sentem algumas influências emocionais (ou melhor, recordações), e então falamos de uma mente ardente ou fria, má, irônica ou bondosa, tímida, medrosa ou, ao contrário, destemida — todas essas características, como o leitor compreende. Os frutos mentais carregam outras qualidades — podem ser concretos ou vagos, construtivos ou destrutivos, virtuosos ou maliciosos. A Casa com cúspide em Sagitário, que rege o fluxo mental ascendente, mostrará a forma de transformação do solo mental em frutos característicos para determinada pessoa, independentemente do tipo específico da árvore mental. O fluxo ascendente do corpo causal representa a transformação do solo causal em conclusões existenciais que a pessoa faz após concluir suas tramas de vida. Como o solo causal é subjetivamente percebido? Se o solo mental é o estado de espírito ou a disposição geral para reflexões, então o solo causal é, por assim dizer, a disposição para a ação; os militares usam aqui a expressão “capacidade de combate”. Nesse solo, ou seja, na energia que a pessoa vivencia como prontidão para determinado tipo de eventos e ações, bem como participação ativa na vida externa ou interna, esses ou não-tão-esses (ou completamente diferentes) eventos ocorrem e, ao se completarem, trazem seus frutos — surgem, de certo modo, os resultados da experiência vivida. Esses resultados são frequentemente percebidos pela pessoa como eventos finais, de certa forma coloridos pela cadeia causal anterior, mas o balanço da vida, mesmo em curtos períodos, sempre é algo mais do que simplesmente destacar alguns eventos como principais: os resultados servem para transmitir informações energéticas para cima, através do canal de Aquário, imagens do mundo, valores, virtudes e talentos. No entanto, não se deve pensar que esses frutos das meditações causais são conscientemente percebidos pela pessoa: a maioria deles (e com frequência os mais importantes) não escapa do controle do subconsciente e é usada para sustentar valores subjetivamente significativos, mas inconscientes, posições de vida e programas básicos da pessoa. A Casa com cúspide em Capricórnio determinará o tipo característico de transformação do solo causal em frutos de vegetação das plantas que nele crescem — independentemente do tipo específico dessas plantas, ou seja, das cadeias de eventos externos e internos. O fluxo ascendente do corpo buddhico representa a transformação do solo buddhico em frutos, ou seja, metavalores, ou as conclusões existenciais mais profundas que a pessoa faz após concluir suas principais tramas de vida ou sérias reestruturações da imagem essencial do mundo. O solo buddhico são as forças da alma que a pessoa pode gastar em programas longos e sérios, externos e internos: realização de seus talentos, desenvolvimento de virtudes, avanço social significativo etc. O solo buddhico carrega certa nuance ou recordação dos resultados causais que o geraram, mas depende em grande medida também do processamento do canal de Aquário, que transforma esses resultados em energia fundamental da alma: nem sempre uma série de fracassos e derrotas causais leva ao esgotamento e envenenamento do buddhico. A Casa com cúspide em Aquário, que rege o fluxo buddhico ascendente, mostrará as peculiaridades da transformação da energia da alma, ou existencial, da pessoa (o autor usará aqui a expressão “força de viver”) em metavalores ou conclusões filosóficas existenciais relacionadas à sua imagem essencial do mundo, que geralmente amadurecem após grandes etapas da vida. Novamente, não se deve pensar que todas as metavalores são registradas pela consciência da pessoa — geralmente, elas escapam completamente dela, e é necessária grande atenção à vida interior, honestidade e orientação espiritual para captá-las de alguma forma, enquanto a análise mental ajuda muito pouco. O fluxo transitório do corpo atmânico é a transformação do solo atmânico em resíduos das meditações atmânicas — folhas e galhos secos da flor da missão, que depois se transformam (pelo fluxo de Áries) em sementes das plantas buddhicas. Se o solo buddhico são as forças da alma necessárias para a pessoa manter constantemente programas longos e difíceis, mas separados, de sua vida, então o solo atmânico são forças espirituais cujo propósito é sempre global: são necessárias mudanças em toda a vida da pessoa como um todo, não apenas no presente e futuro próximo, mas também no distante, e até no passado. Do ponto de vista objetivo-social, o dito parece absurdo: não se pode mudar o passado, por exemplo, alterar a data de nascimento ou anular a morte precoce dos pais, mas subjetivamente, ao ascender ao corpo atmânico, a pessoa perde a diferença entre passado, presente e futuro, percebendo sua vida como um todo, em conexão contínua de tudo. Por isso, aqui ela encontra poder em igual medida sobre o futuro e o passado, e a quantidade de forças espirituais é sinônimo do nível desse poder — não direto, mas indireto, pois o solo atmânico cultiva a flor da missão, cuja aparência (mas não a forma concreta!) é condicionada. O poder sobre o passado (e, aliás, sobre o futuro) aqui não é entendido como a capacidade de alterar dados biográficos (nome, local de nascimento, condição social dos pais etc.), embora isso às vezes aconteça, mas como a capacidade de se libertar de sua influência negativa, destrutiva, que inibe o desenvolvimento evolutivo, e, ao contrário, convertê-la. Por isso, o teste para a pessoa que acumula forças espirituais para reconstruir completamente sua vida é sua disposição para revisar suas relações com o passado e livrar-se de todos os ganchos indesejados que ela firmemente mantém no presente e no futuro; Castaneda chama esse processo correspondente de “revisão da história pessoal”. A principal lição que o fluxo atmânico transitório nos oferece é que as forças espirituais se transformam em mudanças concretas no corpo buddhico, ou seja, alterações nos principais programas de vida e no sistema de valores, não diretamente, mas indiretamente, através da vegetação da flor da missão, da mudança ou reviravolta do sentido principal da vida e do ideal. Por isso, as pessoas espiritualmente maduras gastam suas forças espirituais justamente no refinamento de seu ideal, e ele, ao se desenvolver, refina e modifica o conteúdo principal de suas vidas e, depois, ajusta o sistema de valores; já as tentativas de enviar o solo atmânico diretamente pelo canal de Áries, pulando o ciclo de desenvolvimento da flor atmânica, levam a consequências lastimáveis, ainda que não imediatamente óbvias: o canal de Áries se entope, as sementes buddhicas se envenenam, e, o principal, a flor da missão definha e a vida da pessoa perde completamente o sentido. A Casa com cúspide em Peixes, que rege o fluxo atmânico transitório, mostrará a forma característica para determinada pessoa de transformar forças espirituais em contradições espirituais e becos sem saída, que geram inúmeros problemas existenciais, mas também dão ao indivíduo um poderoso impulso para o desenvolvimento da alma e dos valores. *** Agora o leitor tem alguma noção do material sobre o qual são realizados os processos dialéticos. Quais são esses processos em si? Na base da dialética analisada está o dualismo objeto-meio. No 9º capítulo do livro do autor “Ocultismo invertido, ou Conto dos sete sutis”, são descritas em detalhes as ascensões evolutivas, que incluem sete graus ou níveis principais de existência de qualquer objeto. Esses níveis, de acordo com a tradição ocultista, são chamados pelos nomes dos chakras: muladhara, svadhisthana, manipura, anahata, vishuddha, ajna, sahasrara. Qualquer objeto em um desses níveis encontra-se em equilíbrio com o meio: quanto de energia e informação recebe dele, quanto devolve, mas em certo sentido integral esses fluxos estão equilibrados: nem o objeto nem o meio se percebem como benfeitores ou vampiros-parasitas. Num variante harmonioso de coexistência, pode-se usar a palavra “simbiose”; num cenário tenso, pode-se ouvir até mesmo uma discussão aberta, mas, por baixo disso, ainda se percebe um equilíbrio dinâmico estável que, no fundo, satisfaz tanto o objeto quanto o ambiente. Isso acontece com frequência em famílias onde o pai está à beira de abandonar o lar e, vez ou outra, desaparece em bebedeiras ou escapadas, mas invariavelmente retorna. Expulsá-lo definitivamente da família, por vários motivos, não é possível. Trata-se de uma variante de existência muladhara (e de equilíbrio) do ser humano dentro do égrégor familiar, e um psicólogo que estudar essa família com atenção certamente identificará o balanço energético do sistema pai-família — por exemplo, as bebedeiras do marido podem aliviar muitas tensões familiares que não são resolvidas de outras formas. Por sua vez, ele pode precisar exatamente dessa família para sustentar determinadas posições e enredos de vida; assim, sofrendo causalmente, ele ganha no plano budhial e, no geral, está satisfeito com sua vida. Uma situação qualitativamente diferente surge quando o objeto transita de um nível para outro: nesse caso, o equilíbrio energético total entre ele e o ambiente é perturbado, e de modo bem específico: se o nível do objeto se eleva, a energia e a informação fluem do ambiente para ele; se, ao contrário, o nível cai, então a energia e a informação fluem dele para o ambiente. Pode-se expressar essa lei assim: a elevação do nível do objeto exige sacrifício por parte do ambiente, enquanto a queda do nível do objeto é um sacrifício por parte dele. Uma observação mais atenta mostra que, com a mudança de nível do objeto, o ambiente se organiza em relação a ele como se realizasse uma transição dupla (em direção oposta): por exemplo, se o objeto transita da muladhara para a swadhisthana (essa transição, na astrologia, é chamada de primeira casa), o ambiente ao redor se organiza na muladhara (oitava casa). As palavras “como se” na última frase são uma concessão às visões objetivistas da sociedade moderna; se nos mantivermos na realidade do próprio objeto, todas elas se tornam desnecessárias. E, por fim, algumas reflexões sobre os sistemas de casas. Na astrologia cabalística, só são possíveis sistemas de casas igualitários, nos quais cada casa ocupa exatamente 30° do zodíaco, de modo que, começando num signo, termina no seguinte. Para astrólogos e seus clientes que vivem na paradigma da Era de Peixes, o autor recomenda o sistema igualitário com cúspide do meio-dia, calculado pelo método de Placidus (ou Koch): aqui, o Sol passa pela cúspide da décima casa no momento do meio-dia astronômico (quando as sombras são mais curtas). A Era de Aquário, segundo o autor, é mais orientada para o social, e para as pessoas dessa era é melhor usar o sistema natural igualitário, no qual o Sol passa pela cúspide da décima casa exatamente ao meio-dia oficial, ou seja, o horário adotado oficialmente na localidade. O cálculo das casas naturais é muito simples: a cúspide da quarta casa (C4) é calculada pela fórmula C4 = S + T/4 graus/minutos, onde S é a posição do Sol no zodíaco em graus, contados a partir de 0° de Áries, e T é o horário oficial expresso em minutos (um exemplo de cálculo pode ser visto no livro do autor “Cabala dos Números”, número 2). Capítulo 1 TRANSIÇÃO DA MULADHARA PARA A SWADHISTHANA, ou PRIMEIRA CASAPalavras-chave: manifestação espontânea; expressão direta de si mesmo; crescimento livre e primário. “Assim, das águas escuras surge para o mundo a virgem de olhos claros, O leitor que compreendeu tudo pode passar diretamente ao segundo capítulo. Quanto aos demais, o autor tem pequenos comentários e complementos ao que foi dito. |
Comunicação :: Parte 1 – Gramática da Comunicação Parte 1
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